O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PA) apreendeu nesta quarta-feira(15) de manhã, sob denúncia de propaganda ilegal e extemporânea, ou seja fora do prazo permitido pela legislação referente, cerca de duas mil publicações em formato de história em quadrinhos de conteúdo calunioso contra lideranças estaduais e federais do PMDB e PT.
O material estava na casa do comerciante Raimundo Abdon Silva, no bairro da Cidade Velha. Conhecido por colecionar várias candidaturas a cargos dos poderes Legislativo e Executivo no Pará e na capital, Belém, sem nunca ter sido eleito, Abdon chegou a ser nomeado assessor do gabinete da Casa Civil do Governo do Estado em 2012, sendo depois remanejado para o gabinete do governador Simão Jatene. Ele prestou depoimento à Polícia Federal e será alvo de processo por crime eleitoral.
Segundo Afonso Arinos, advogado do PMDB, partido autor da denúncia, um simpatizante da sigla entregou, na noite da quarta-feira(14), um exemplar da publicação à direção partidária.

“O gibi tinha cerca de 20 páginas e nele Abdon é o ‘Super Abdon’, caracterizado como um Super Homem, que se diz combatente da corrupção e o alvo imediato do enredo são lideranças estaduais do PMDB e a aliança com o PT, tanto no Estado quanto no cenário nacional. São citados também ministros do Supremo Tribunal Federal”, relatou. “São páginas coloridas e de boa qualidade, o que significa que não se trata de uma impressão barata. A suspeita é que haja alguém por trás, bancando esses custos, há desconfianças a serem investigadas”, qualificou.
Distribuição de revista acontecia em frente ao tribunal
A denúncia formal ao TRE foi feita na manhã desta quinta-feira(15) pelo advogado do PMDB, Afonso Arinos, que foi surpreendido ao chegar à sede da Justiça Eleitoral no Estado. “Chegamos às 8h, protocolamos a representação e lá dentro mesmo encontramos o senhor Raimundo Abdon distribuindo o impresso na frente do tribunal. De imediato, ele assumiu a autoria do material que representa propaganda ilegal e extemporânea, além de ser calunioso, prática vedada pela Justiça Eleitoral em qualquer fase de uma eleição”, explica o advogado. “Além do processo em âmbito eleitoral, o PMDB irá entrar com ação penal para processá-lo por calúnia, injúria e difamação, e ainda com ação civil pedindo danos morais aos que foram citados na publicação”, adiantou. A última vez que concorreu a um cargo público foi nas Eleições Municipais 2012, quando tentou ser vereador de Belém pelo PSL, mas obteve apenas 1.864 votos, insuficientes para elegê-lo. Antes, no mesmo ano, Abdon foi nomeado assessor de gabinete da Casa Civil do governo do Estado (Diário Oficial do Estado de 28/03/2012, edição 32.611), sendo depois transferido para o gabinete do governador Simão Jatene. Segundo a Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), um novo Decreto publicado no dia 17 de Abril de 2012 no Diário Oficial do Estado, anulou o decreto anterior.
(Diário do Pará)
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