O inquérito policial que investiga o desaparecimento do homem agredido por policiais no dia 29 de abril, na rua Henrique Gurjão, continua. Nessa quinta-feira, 22, a partir das 9h, o Instituto Renato Chaves fará a reconstituição dos fatos que seguiram após a agressão registrada por cinegrafista amador.O vídeo mostra o homem, identificado apenas como um flanelinha, sendo abordado por três policiais da viatura 0212. Após uma discussão com um dos PMs, o homem é duramente agredido e colocado dentro da viatura policial. Mesmo no veículo, os policiais continuam a agressão usando um cassetete.
As cenas de violência registradas foram colocadas na internet e vistas por milhares de pessoas. Apesar de sair do local dentro da viatura policial da guarnição que cometeu a agressão, o homem não foi apresentado em nenhuma delegacia e, desde então, o flanelinha nunca mais foi visto na rua onde costumava trabalhar nem nas redondezas.
A Promotoria de Justiça Militar faz comparações com o caso Amarildo – o ajudante de pedreiro carioca tido como morto após ter sido visto pela última vez ao ser detido por policias em frente à própria casa, na Favela da Rocinha, Rio de Janeiro.
O inquérito policial corre em sigilo e, por isso, os nomes dos policiais, que já estão afastados e respondem processo administrativo no conselho disciplinar, ainda não foram divulgados. “A intenção é chegar o mais próximo possível da realidade. Os policiais foram chamados, mas não são obrigados a comparecer”, disse o promotor da Vara da Justiça Militar, Armando Brasil.
Caso os policiais não compareçam, a reconstituição será realizada a partir do depoimento dos envolvidos, com base no rastro deixado no GPS das viaturas e com filmagens ao longo do trajeto relatado. Segundo depoimento, os policiais liberaram o homem próximo à Paratur. “Nada justifica a agressão, mesmo no caso de desacato, como os policiais alegam”, disse o promotor, que promete levar o caso até a Justiça comum e, caso o homem não apareça, os policiais podem ser julgados por prevaricação e homicídio.
Caso os policiais não compareçam, a reconstituição será realizada a partir do depoimento dos envolvidos, com base no rastro deixado no GPS.
(Diário do Pará)
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