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Usuários de portos em Belém fazem apelo ao governo

Com a recém-nascida acolhida em um dos braços e a sombrinha segura na outra mão, a caminhada pelas improvisadas toras de madeira é temerosa. Repleta de limo e agravada pela chuva fina e constante desde o início da manhã de sábado (24), os troncos são

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Com a recém-nascida acolhida em um dos braços e a sombrinha segura na outra mão, a caminhada pelas improvisadas toras de madeira é temerosa. Repleta de limo e agravada pela chuva fina e constante desde o início da manhã de sábado (24), os troncos são o único caminho possível até os barcos e rabetas que, amontoados no rio em meio ao lixo acumulado, transportam centenas de passageiros todos os dias. A uma distância não tão grande, a realidade no Porto do Açaí, no bairro do Jurunas, é bem diferente do vivenciado no recém-inaugurado Terminal Hidroviário de Belém “Luiz Rebelo Neto”.

Com a marca do risco vivenciado diariamente em uma das pernas, o pescador Reginaldo Moraes ainda não pode visitar o espaço climatizado do novo terminal localizado no Galpão 9 da Companhia das Docas do Pará (CDP). Independente da oportunidade, porém, ele esperava usufruir da mesma estrutura no porto onde embarca e desembarca todos os dias vindo da Ilha das Onças. “Eu já caí na água aqui, bati a perna... olha a cicatriz aqui que ficou”, esclarece. “Eu venho pra cá todo dia e olha como é que tá. Isso aqui tá muito complicado”.

Diante da movimentação constante de passageiros que seguem viagem mesmo em dia de chuva, Reginaldo tem que desviar dos que precisam passar em direção aos barcos. Já na beirada do rio, só é possível passar um por vez por cada uma das três toras estreitas que dão continuidade ao limite calçada. “Tem que fazer a coisa direito. Olha como ta isso aqui. Esse porto aqui é cheio de gente assim o dia todo. De manhã, de tarde, de noite, não tem hora”, afirma, com a experiência de quem nos barcos o principal meio de locomoção. “O que fizeram lá é bonito pra turista, eu não sou turista! Quem precisa ta aqui, correndo o risco de cair aí por essa lama. Eu queria que aqui também tivesse um negócio direito, bonito pra gente poder andar com a nossa família”.

Com o pequeno Luis Otávio, de apenas um ano, nos braços, é também equilibrada em cima do caminho improvisado que a doméstica Regiane dos Santos precisa se locomover. Moradora de Belém, mas com parentes que moram na comunidade de Genipaúba, localizada na região das ilhas de Abaetetuba, ela embarca no Porto do Açaí todo final de semana. “Eu tenho muito medo porque é muito escorregadio. É muito perigoso”, constata. “A gente vem por aqui porque precisa mesmo. Eu tenho muito medo de cair com ele (filho), mas não tem outro jeito”.

Com o risco agravado pela chuva, a técnica em radiologia, Isabel Paixão, de 23 anos, chega a hesitar. O olhar desconfiado para as condições da caminhada de alguns metros até o barco deixa claro o receio de que mais um acidente aconteça. “Eu já caí, escorreguei uma vez. Sorte que não cheguei a cair na água mesmo. Eu venho sempre por aqui porque vou visitar meu pai que mora na Ilha do Arapari”, lembra, sem esconder a insatisfação pela situação enfrentada. “Tinham que fazer um porto direito aqui também. São famílias que usam isso aqui, correndo o risco de se acidentar, cair no rio”.

TERMINAL

Sem que a circulação intensa do Porto localizado no bairro do Jurunas diminua com a chuva, a movimentação no Terminal Hidroviário “Luiz Rebelo Neto”, já às margens da Baía do Guajará, era bastante tranquila no primeiro dia de funcionamento após a inauguração. Sentada em uma das muitas cadeiras vazias durante a manhã de ontem, a pescadora Socorro Franco aguardava a chegada de uma passageira com surpresa. “Melhorou muito, ficou muito bom. Mas tinha que melhorar também o Porto de Icoaraci, que ta precisando. O bom seria se isso tudo que tem aqui fosse um padrão dos portos, né?”, questionava. “Tô esperando uma senhora que tá vindo do Porto do Camará (na Ilha do Marajó) pra uma consulta aqui e fiquei surpresa porque esse porto aqui tá muito bom. O de Camará é que tá todo destruído”.

Sem esconder a satisfação pelo conforto proporcionado pelo ar condicionado e assentos adequados, o trabalhador do setor imobiliário, Domingos Carneiro sentiu falta apenas de um local de orientação aos passageiros. “De imediato estou achando tudo bom, mas tinha que ter um balcão de informação bem na entrada pras pessoas não ficarem perdidas”, acredita. “Logo quando a gente entra, fica um pouco sem saber onde são as coisas. Se tivesse um balcão de informação logo na entrada, seria melhor”.

(Diário do Pará)

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