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Renais crônicos sofrem à espera de sondas

Pelo menos dez crianças e adolescentes pacientes renais crônicos já transplantados e outros que fazem hemodiálise e estão na fila de espera por um novo rim amargam, em Belém, há dois meses, a falta de sondas uretrais que antes eram distribuídas pela Secre

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Pelo menos dez crianças e adolescentes pacientes renais crônicos já transplantados e outros que fazem hemodiálise e estão na fila de espera por um novo rim amargam, em Belém, há dois meses, a falta de sondas uretrais que antes eram distribuídas pela Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesma) - distribuição esta regida por uma liminar judicial concedida em 2007 por meio de apelo feito pelo Ministério Público Estadual. O utensílio hospitalar, que há cinco anos, e por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), não pode ser vendido para Pessoa Física.

A Associação dos Renais Crônicos do Estado do Pará admite que buscou a imprensa para divulgar o problema porque as autoridades que deveriam responder pelo problema não oferecem uma solução. De acordo com a presidente da Associação, Belina Soares, os pais dos pacientes têm procurado a Promotoria de Saúde, no MPE, para denunciar o que ocorre, mas as respostas não respeitam o imediatismo que a condição clínica dos pacientes pede. “Infecção urinária para transplantado pode significar a perda do órgão, é uma exposição à qual esse paciente não pode se submeter. Aí a Sesma responde que o processo de compra está ocorrendo, que está para empenho, acontece que o transplantado não pode esperar!”, justifica.

Ela diz ainda que o atendimento dos pacientes, que não estão internados, ou seja, aqueles que apenas vão aos hospitais para o tratamento e depois são liberados, estão espalhados por hospitais do Estado, como Santa Casa de Misericórdia, Hospital das Clínicas, dentre outros. “No interior também tem quem passe por isso, que não recebe a sonda da secretaria municipal de Saúde, e quando nós recebemos essas demandas de fora, tentamos incluí-los também nesse recebimento”.

Jaciara Souza é mãe de um adolescente de 16 anos e que segue como transplantado há oito. Para obter as sete sondas diárias usadas pelo garoto, há dois meses ela e o marido correm em tudo quanto é loja de material hospitalar e praticamente suplicam para que o vendedor libere a compra. “A cada loja, é uma explicação enorme e um pedido de pelo amor de Deus, porque sem sonda ele contrai uma infecção e perde o rim! Ligar para a Sesma e ouvir do almoxarifado que a compra está em processo é um absurdo, existe uma liminar judicial que garante essa distribuição, não sou eu que tenho que ficar buscando solução para isso”, denuncia, sem esconder a indignação.

Ela revela que cada sonda só pode ser usada uma vez, ou seja, é descartável, e custa entre R$ 1,10 e R$ 1,20. “São mais de R$ 300 por mês, eu não tenho como arcar com isso”, lamenta.

“A gente está de mãos atadas, sabe?”

A dona de casa Charen Gomes teme a cada dia pela saúde do filho de 13 anos, transplantado há dois, depois de ficar quase quatro anos na fila de espera por um doador compatível. “A gente está de mãos atadas, sabe? A Associação [de Renais Crônicos] tem ido ao MPE, mas aí o MPE notifica a prefeitura, a prefeitura não paga e fica por isso mesmo. Meu filho tem que fazer sondagem de quatro em quatro horas, ou seja, seis vezes por dia. Mas às vezes ele faz menos que isso, porque a gente não consegue a sonda. O que meu marido tem conseguido ultimamente é em hospital, e na camaradagem. Depois que a Anvisa proibiu, só uma loja em Belém ainda vende e quase nunca tem o número que o meu filho usa. Há dois meses, última vez que nós recebemos as sondas da Sesma, já nos avisaram que a distribuição seria suspensa por falta de verbas”, recorda.

(Diário do Pará)

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