Diante do terreno onde deveriam estar levantadas 300 casas populares na Comunidade Pantanal, no bairro do Mangueirão, em Belém, o que se vê é o mato que já toma conta do espaço.
Iniciada ainda em 2007, a previsão de construção de habitações populares e outros benefícios é parte, segundo a própria comunidade, do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Afirmando que ainda hoje nenhuma casa foi entregue às famílias que seriam beneficiadas, a dona de casa Wanderlene Neves não esconde a indignação.
“Essa área toda teria projeto do PAC e a nossa rua principal, a rua Chico Mendes, está nessa situação de abandono aqui”, aponta para a via repleta de lama. “O projeto previa uma série de situações aqui que não estão sendo cumpridas. Desde outubro de 2013, as obras pararam e nada mais foi construído. O terreno está lá”.
Recebendo auxílio moradia já há cinco anos, Wanderlene reforça que a comunidade não suporta mais ficar sem um posicionamento. Nas mãos da mulher, os vários papéis protocolados na Companhia de Habitação do Estado do Pará (Cohab) são a prova da busca por explicações. “Três empresas já começaram a trabalhar aí e pararam. A obra não é concluída. O projeto previa sistema de abastecimento de água e esgoto, drenagem, pavimentação, construção de praças e até agora não nenhuma moradia levantada sequer”.
REUNIÕES
Presidente da associação de moradores da comunidade, Estela Pontes reforça que várias reuniões já foram realizadas para discutir o assunto sem que nada fosse resolvido. “A comunidade está sofrendo há muitos anos. Iniciaram essa obra e nunca concluíram. Queremos uma solução porque não podemos mais deixar ficar como está”, cobra. “Enquanto líderes comunitários, nós passamos as informações para os moradores e ficamos até desacreditados porque eles dizem uma coisa numa reunião e na outra já mudou. Chega de enrolação”.
Morador do bairro há 21 anos, o encarregado de obras e membro da associação de moradores José Raimundo lembra que os benefícios oferecidos eram sonhados por toda a comunidade. “O projeto veio com o intuito de beneficiar. É uma necessidade que virou sonho e que a realidade não apareceu. O que a gente quer é que se verifique o que está atrasando o projeto”, clama. “Se já se passaram sete anos e nada ficou pronto, onde está a falha?”.
Em nota, a Cohab informou que o projeto da Comunidade Pantanal “contempla não só a construção de unidades habitacionais, mas serviços de infraestrutura” e que “está promovendo o destrato da construtora que executava as obras, por esta não atender a demanda dos serviços, e por isso as obras tiveram que ser paralisadas”. Segundo a nota, “um novo processo licitatório será executado para contratação de outra construtora, o que deverá ocorrer nas próximas semanas”. A companhia afirma também que, “das 300 casas previstas, já foram entregues 25.
(Diário do Pará)
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