Sentada atrás do balcão de informações e com a visão de quase toda a igreja, Márcia Costa passa todos os dias de trabalho acolhida no clima de paz da Basílica Santuário de Nazaré. Iniciada como espaço de devoção à padroeira dos paraenses em uma pequena construção de 1700, hoje a igreja já completa oito anos desde que recebeu o título de Santuário Mariano da Arquidiocese de Belém. “Aqui é especial!”.
Ainda que acostumada aos cânticos e à movimentação rotineira da igreja, a necessidade de falar sobre os sentimentos despertados pelo local mareja os olhos de Márcia de imediato. Em uma rápida olhada aos detalhes visualizados todos os dias já há cinco anos, a emoção pelo privilégio de poder trabalhar no Santuário a silencia por alguns segundos, antes que as palavras consigam ser ditas.
“Eu me sinto como em casa. É o melhor lugar para se trabalhar, no colo e no carinho da mãe de Deus”, emociona-se, sem esquecer do agradecimento especial daquele dia. “Eu me sinto uma privilegiada porque nos momentos difíceis, eu me sinto confortada aqui. Meu marido sofreu um sequestro relâmpago ontem (anteontem), mas agora está bem, então hoje eu tive muito a agradecer por nada ter acontecido com ele”.
Responsável por dar informações aos visitantes, Márcia tem no local de devoção a Nossa Senhora o seu espaço preferido. Na lateral do grande salão destinado ao acolhimento dos fiéis que chegam a todo momento em busca de conforto, o santuário em homenagem à Santa Teresinha é onde Márcia sempre se dirige antes de começar o dia de trabalho.
“O altar de Santa Teresinha é onde eu sempre vou, é a minha santa de devoção. Desde que eu a vi pela primeira vez, ela me tocou profundamente”, lembra. “Aqui na Basílica a gente vê a peculiaridade da nossa terra, da nossa gente e toda vez que eu chego eu me sinto acolhida na casa da mãe e em contato permanente com Jesus”.
Local de devoção à Nossa Senhora de Nazaré desde que a pequena imagem foi encontrada pelo Caboclo Plácido, a elevação da Basílica a Santuário foi concedida pelo reconhecimento da importância do local para os paraenses. O título foi outorgado em 31 de maio de 2006 pelo, então, arcebispo de Belém, Dom Orani João Tempesta.
SANTUÁRIO
“A Igreja de Nazaré sempre foi um santuário natural, que iniciou por si, desde a Casa de Plácido até hoje”, reforça o reitor da Basílica, Padre José Ramos. “Proclamar a Basílica como Santuário rompe todos os limites geográficos, inclusive da área paroquial. Desde então os Barnabitas têm trabalhado para dar maior dinamismo para as visitas e acolhidas dos fiéis”.
Ainda que as missas celebradas no Santuário tenham seus horários exatos, a presença de fiéis na igreja é constante. Comprometida em visitar a Basílica sempre que possível, a administradora de empresas, Sandra da Silva é tomada por sentimentos diversos sempre que chega ao local.
“Eu sinto como se eu voltasse ao passado, chegasse a esse mundo onde tanta coisa já aconteceu pra que ela (Basílica) chegasse ao que é hoje. Aqui é bom demais, sinto uma energia impressionante”, descreve. “De todos os locais daqui, que são lindos, o que eu acho mais especial é a imagem dela (Nossa Senhora de Nazaré) no Glória”.
Com a imagem original da virgem de Nazaré mais próxima dos fiéis desde a última terça-feira, a condição de Santuário da igreja fica ainda mais evidente. “Eu tenho um carinho especial por essa igreja porque sou devota de Nossa Senhora de Nazaré. Hoje eu resolvi vir aqui antes de ir para o trabalho”, comentou a operadora de caixa, Ediele do Socorro ainda no local onde teria acontecido o primeiro milagre da Virgem de Nazaré. “Eu sinto uma paz aqui dentro, o clima aqui é diferente. Só de entrar aqui rápido antes de ir trabalhar, já me sinto renovada”.
(Diário do Pará)
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