Guardas municipais cobram o retorno do adicional de insalubridade e exigem reajuste do vale-alimentação - que, de tão defasado no valor, devorado pela inflação, foi apelidado de “vale-coxinha”.
O adicional de insalubridade, por exemplo, segundo os guardas, foi um direito adquirido durante 20 anos pelos servidores municipais que atuam em atividades de risco, mas simplesmente deixou de ser pago. Até agora não foi oferecida nenhuma explicação para o corte. No caso do vale-alimentação, a acusação é de que depois que o benefício passou para as mãos da “famigerada bandeira Bancredcard”, já completou cinco anos sem que um único centavo de reajuste tenha sido concedido. Ele já representou uma enorme ajuda no orçamento familiar, sobretudo na hora das compras do mês no supermercado.
A administração municipal, porém, não deu qualquer sinal de mudança do valor, hoje com grande defasagem. Ainda que se espelhe na postura do seu antecessor, que em 2009 concedeu 100% de reajuste, mesmo que o prefeito Zenaldo Coutinho viesse a fazer isso agora, ainda assim seria um valor longe de atender as necessidades do servidor público. “Em 2009, quando recebeu o último reajuste de R$ 110,00 para R$ 220,00, o vale-alimentação representava 47,5% do salário mínimo, que era de R$ 465,00. Hoje, ainda no valor de R$ 220,00, o benefício representa pouco mais de 30% do piso nacional”, afirmam os guardas municipais.
Adicione-se a isso a inflação galopante, a corrosão do poder de compra em virtude da continuidade do valor pago e a falta de opções para compras em redes de supermercados atacadistas, os conhecidos “meio-a-meio”, que compensaria, em parte, o irrisório valor pago pela administração municipal. Na Guarda Municipal de Belém, o vale-alimentação é pago em razão dos serviços ordinários de 12 horas consecutivas. Ou seja, o benefício deveria cobrir o valor para, pelo menos, três alimentações diárias, que seriam dois lanches e uma refeição completa.
Mas, considerando que cada lanche pode custar até R$ 7,00 e uma alimentação decente, R$ 12,00, o valor mínimo diário seria de R$ 26,00, que, multiplicando por 13 serviços mensais, resultaria num total de R$ 338,00. Em resumo, o guarda municipal não está ganhando o suficiente nem para cobrir duas refeições. Resumo: em vez de vale-alimentação, os guardas municipais sugerem que o prefeito batize o benefício de “vale-coxinha”, pois é o que “é possível comprar com o valor pago pela administração municipal”.
MELHORIA
O comandante da Guarda Municipal Carlos Augusto Machado, por meio de sua assessoria de imprensa, rebateu as acusações feitas contra ele. Primeiro, ele disse que nunca na história da corporação os servidores receberam adicional de insalubridade. Ele quis dizer que não é que o adicional tenha deixado de ser pago, mas que nunca foi pago. “Houve, inclusive, uma melhoria na questão salarial dos guardas depois da aprovação do plano de cargos, carreiras e remuneração, o PCCR”, informou Machado.
A respeito do vale-alimentação, ele disse que a questão não depende do orçamento da Guarda Municipal. É uma reivindicação mais abrangente, que envolve outros órgãos da prefeitura de Belém.
(Diário do Pará)
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