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Professores denunciam Semec por assédio moral

Professores da rede municipal de ensino, em greve há cinco dias, denunciam que, em algumas escolas, servidores que aderiram à paralisação vêm sofrendo assédio moral por parte de supervisores da Secretaria Municipal de Educação (Semec). A Semec informou qu

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Professores da rede municipal de ensino, em greve há cinco dias, denunciam que, em algumas escolas, servidores que aderiram à paralisação vêm sofrendo assédio moral por parte de supervisores da Secretaria Municipal de Educação (Semec). A Semec informou que, com base em liminar judicial concedida no último dia 25, véspera da deflagração da greve, os dias parados serão descontados dos salários dos professores. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Pará (Sintepp), professores substitutos estão sendo contratados para ocupar vagas dos grevistas.

A professora Lucidéia Andrade, 60 anos, trabalha na Escola Silvio Leandro, na rodovia Mário Covas, bairro do Coqueiro. Docente há mais de 30 anos, ela denuncia que está impedida de entrar na escola em que dá aula porque aderiu à greve. “Se os professores decidiram paralisar as atividades, os pais têm o direito de saber por que. A escola é a casa do aluno e da comunidade, mas nós não podemos informar ninguém de nada porque somos barrados antes de entrar. Parece que eu voltei para o tempo da ditadura militar”, fala.

De acordo com Lucidéia, os professores estão indignados com a decisão da Semec de contratar docentes substitutos. “A escola está sucateada. Nós precisamos tirar dinheiro do bolso para comprar material didático pra trabalhar. A secretaria não tem dinheiro para pagar o que estamos reivindicando, mas tem dinheiro pra contratar substitutos? É um absurdo e prejudica a formação dos nossos alunos”, opina.

Segundo Lucidéia, a gestão atual da Escola Silvio Leandro não foi definida de forma democrática. “Houve um arranjo e uma manipulação para que a gente não pudesse eleger ninguém por voto direto. Não houve quórum porque a eleição foi feita em período de férias e muitos pais estavam viajando”, comenta. Hoje pela manhã, servidores da escola que aderiram à paralisação farão um ato em frente à unidade como forma de protesto. O objetivo é conscientizar e conseguir uma conversa com os pais dos alunos.

Silvia Letícia, secretária-geral do Sintepp, questiona a validade do processo eleitoral que definiu cargos de direção em unidades de ensino no ano passado. “Foi um processo forjado feito para que as assembleias não tivessem quórum. O resultado é que a própria prefeitura indicou os nomes para assumir essas escolas e muitos deles nem são da rede”, denuncia. O Sintepp está recolhendo relatos de professores que estão sofrendo assédio moral e levando os casos ao Ministério Público e à Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH).

PAUTA

Em greve desde o dia 26, os professores da rede municipal pedem implantação do PCCR (Plano de Cargos, Carreira e Remuneração) unificado, reajuste do vale-alimentação, adicional de insalubridade para pessoal de apoio, progressão horizontal, pagamento da titularidade, celeridade nos processos de aposentadorias, eleições complementares para direção das escolas e reforma e construção de novas unidades.

A assessoria jurídica do Sintepp entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal contra liminar que definiu ilegalidade e abusividade da greve municipal. A reportagem tentou contato com a assessoria da Semec, mas não conseguiu.

(Diário do Pará)

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