Nesta segunda-feira(02) de madrugada, a fila chegava à esquina e o sol ainda ia demorar a aparecer. Na divisão de operações da Prefeitura Municipal de Belém, em Icoaraci, no bairro da Ponta Grossa, dezenas de jovens esperavam a abertura da junta de serviço militar do distrito.
O objetivo era conseguir uma das 40 senhas distribuídas para quem pretende fazer o alistamento militar obrigatório. Com o número limitado de senhas para atender à demanda, muitos precisam voltar mais de um a vez para conseguir atendimento.
Sentada em um banquinho entre os jovens, a doméstica Deusarina Martins, 60 anos, esperava pacientemente o neto chegar para assumir sua posição na fila. Ela chegou à unidade de operações especiais às 21h do domingo, foi a primeira da fila e foi preparada para a vigília. “Eu trouxe café e até uma toalha pra me cobrir, mas nem fez frio. Minha filha já tinha vindo duas vezes, mas não conseguiu senha. Como eu não ia trabalhar, resolvi madrugar aqui para garantir lugar pra o meu neto”, conta.
Para Deusarina, a junta militar deveria ser preparada para atender todos os jovens que vão ao distrito. “São poucas senhas e a gente é obrigado a ficar exposto aqui para conseguir atendimento”, observa.
O estudante Luan Pantoja, 17 anos, foi o segundo a chegar à fila da divisão de operações, ainda no domingo à noite. Para o jovem que veio de Outeiro, a demora na distribuição de senhas expõe as pessoas a riscos.
“A gente passa a madrugada na rua e não tem nenhuma segurança para proteger a gente. Se tiver um assalto, ninguém pode fazer nada”, comenta. Na opinião de Luan, mais senhas deveriam ser distribuídas para o atendimento de quem pretende fazer o alistamento obrigatório. “Infelizmente, a gente é obrigado a se alistar, senão paga multa e não tira documento. Só acho que deveriam dar condições melhores para a gente fazer isso”, completa.
SENHA
Pela quarta vez, o estudante Josias da Costa, 17 anos, tentava conseguir uma senha para iniciar seu processo de alistamento militar. “Eu chegava aqui tarde e não conseguia mais senha porque acabava rápido. Hoje (ontem) eu vim duas horas da manhã para garantir meu lugar na fila. O pior é gastar dinheiro com passagem de ônibus para vir várias vezes resolver um negócio que eu poderia ter feito logo”, afirma o adolescente.
Ana Batista, secretaria da junta de serviço militar de Icoaraci, explica que, com a transferência da junta militar do Entroncamento para o Largo da Palmeira, no centro da cidade, o número de jovens transferidos para a divisão de operações do distrito aumentou. “Realmente a demanda cresceu e nós tivemos que adotar medidas para melhorar o atendimento. Antes, a distribuição de senhas era de segunda a quarta-feira e, agora, nós estendemos até as quintas”, explica.
Segundo Ana Batista, apesar de o horário de atendimento ser até o meio-dia, a junta costuma funcionar até as 14h para atender a todos. “Infelizmente, nós não temos como evitar as filas porque a procura em todas as juntas é muito grande. Mas nós minimizamos isso distribuindo senhas cedo. Geralmente, às 7h, antes de a junta abrir, nós já estamos fazendo essa distribuição”, completa.
(Diário do Pará)
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