Cobrando providências do poder municipal para os problemas vivenciados diariamente, agentes de trânsito da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) paralisaram as atividades por 24 horas nesta terça-feira (03). A mobilização foi marcada por uma caminhada que saiu da frente da Secretaria Municipal de Administração (Semad) em direção à Prefeitura Municipal de Belém.
Agrupados na calçada em frente à Semad, na avenida Nazaré, e com o auxílio de um trio elétrico, a categoria apontou as dificuldades de se lidar com o trânsito de Belém sem a estrutura de trabalho necessária. Diretora do Sindicato dos Servidores nas Entidades Públicas Concessionárias do Sistema de Transportes e Tráfego Urbano do Município de Belém (Sintebel), Karime Rodrigues aponta que as reivindicações da categoria são, sobretudo, com relação à infraestrutura de trabalho. “As principais reivindicações são por conta da má gestão, pela falta de infraestrutura e investimento”, resumiu. “Às vezes, não tem copo para beber água na sede da Semob. Ficamos um bom tempo sem uniforme e, agora que chegou, falta o apito. Encheram o órgão de DAS, mas não investem no servidor público”.
Para além das condições de trabalho, a categoria também reivindica o afastamento da superintendente da Semob, Maísa Tobias, da função. “Pedimos a saída da Maísa pela má gestão. Ela é uma péssima gestora, não tem diálogo com ela. Já foi denunciado ao Ministério Público, inclusive, um caso de nepotismo envolvendo a sobrinha da superintendente”, afirma Karime. “Ela é intransigente. Demos entrada com um ofício com as reivindicações e ela não recebe. É autoritária”.
Sem deixar de apontar os possíveis problemas enfrentados pela categoria durante a caminhada, que seguiu no sentido contrário ao dos carros, os servidores ainda apontaram a necessidade de contratação de mais agentes concursados para atuar nas ruas em detrimento da instalação de radares eletrônicos. “É necessário termos mais agentes nas ruas porque o nosso contingente não é suficiente, mas o município prefere investir em 114 araras do que nomear os servidores que já passaram no último concurso”.
Também presentes na manifestação, candidatos aprovados no último concurso público do órgão denunciaram que não conseguem ser nomeados mesmo com a existência de uma decisão judicial favorável a eles. “Eu passei no concurso de 2012 para o cargo de agente de trânsito e até hoje não querem nomear. O juiz concedeu uma liminar a nosso favor, já que os guardas municipais estavam ocupando nossos cargos, e nem assim sai a nomeação. E ela (superintendente) está com a intenção de fazer novo concurso”, afirmou o servidor público e aprovado no concurso da Semob, Júlio César. “Eles preferem gastar R$910 mil com 114 novos radares do que gastar aproximadamente R$ 600 mil com 223 agentes que ainda estão no cadastro de reserva”.
Direcionados não apenas para a gestão da Semob como também para à direção da Semad e do prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, os servidores ainda cobravam o cumprimento de outra determinação judicial. “Tem uma sentença de março que não devem mais descontar o valor do plano de saúde do Ipamb (Instituto de Previdência e Assistência do Município de Belém) para quem já tem plano de saúde particular e continuam descontando”, explicou o agente de trânsito, José Arteiro. “É descontado todo mês R$450 para o plano de saúde do Ipamb, sendo que eu já pago R$730 de plano de saúde particular. Tem um mandado de segurança favorável e eles continuam descontando o plano de saúde do Ipamb pelo quarto mês consecutivo”.
Leia mais informações:
> Semob diz que atendeu alguns pedidos
(Diário do Pará)
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