Os professores da rede municipal de ensino organizam, amanhã, a partir das 10h, um ato em frente à sede da Prefeitura Municipal de Belém, no bairro da Cidade Velha, em tom de apelo ao prefeito Zenaldo Coutinho (PSDB) para que ele negocie com a categoria, em greve desde o dia 26 de maio por melhores condições de trabalho.
Segundo o coordenador da executiva Belém do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Pará (Sintepp), Maurílio Estumano, embora o prefeito já tenha enviado representantes para negociar com os grevistas, nenhuma reunião rendeu avanços.
“Não adianta mandar ninguém da Secretaria de Educação porque não dá em nada, ele (Zenaldo) centraliza tudo, todo o poder de decisão”, justifica. No dia 11, quarta-feira, os professores se reúnem mais uma vez às 15h, no campus da Universidade do Estado do Pará (Uepa) da Enéas Pinheiro, em assembleia geral para redefinir os rumos do movimento.
“Essa semana será complicada porque temos jogo da Copa do Mundo e é jogo do Brasil, então muitos locais estarão com atividades suspensas. Mas no dia em que não houver ato, estaremos mobilizando junto às escolas e à própria comunidade. Levamos um baque quando saiu a liminar autorizando o desconto pelos dias não trabalhados, mas a decisão do desembargador Roberto Moura, do Tribunal de Justiça, divulgada na semana passada, extinguindo o processo feito pela prefeitura colocando a greve como ilegal, nos deu força.
Deveremos chegar a 80% ou 90% de anuência à paralisação agora”, avalia o sindicalista.
CONTRATAÇÃO
Estumano classifica como absurda a autorização dada pela Secretaria Municipal de Educação (Semec) para a contratação, por parte da direção das escolas, de profissionais que supram a ausência dos manifestantes em greve.
“Greve, além de direito nosso, nunca atrapalhou o calendário. Encerrada a paralisação, nós provemos a reposição das aulas, é assim que funciona toda vez. Com essa autorização concedida pela Semec, os diretores de escola estão levando seus parentes para trabalhar, é um absurdo”, denuncia.
As reivindicações dos professores da rede municipal incluem a criação de um Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) unificado, ou seja, que englobe quem é do magistério e também os demais trabalhadores da área, o reajuste do valor do ticket alimentação para R$ 500 - o valor está congelado em R$ 220 há cerca de cinco anos, segundo a categoria -, pagamento de adicional de insalubridade para quem trabalha com a parte de limpeza e higienização, pagamento retroativo da Gratificação de Incentivo à Escolaridade a quem possui títulos de pós-graduação, criação de lei para eleição direta aos cargos de diretor e vice-diretor das escolas, dentre outros itens.
A reportagem não conseguiu contactar com a assessoria de comunicação da Semec nem por telefone nem por e-mail.
(Diário do Pará)
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