Com 1.227 pacientes aguardando doadores de medula compatíveis no Brasil, sendo 112 apenas no Pará, o Dia Municipal da Doação de Medula Óssea, celebrado hoje, reforça a necessidade crescente de doadores em todo o país. Ainda que o Brasil detenha o terceiro maior banco de doadores cadastrados no mundo, a dificuldade de encontrar um doador 100% compatível com o receptor é a principal razão para se buscar cada vez mais pessoas dispostas a fazer a doação que pode salvar vidas.
Receptora do cadastro desde 2003, a Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa) é a responsável por encaminhar o cadastro de doadores para o Instituto Nacional do Câncer (Inca) que promove o Registro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redoma), banco de dados nacional e internacional.
Como explica a gerente de catação de doadores de sangue e medula do Hemopa, Juciara Farias, a doação da medula não é realizada no momento do cadastro e sim quando é identificada compatibilidade total entre doador e o paciente. “Após o cadastro é feita a coleta de cinco mililitros de sangue para a realização do exame HLA, que mapeia as características genéticas dos doadores”, explica. “Quando se encontra um doador compatível, ele é deslocado da origem para o Estado do paciente e faz a doação de medula para posterior transplante”.
TRANSPLANTE
Sem que se realize transplante de medula no Pará, os doadores e receptores do Estado sempre precisam se descolar para um dos 20 centros de transplante espalhados pelo Brasil. O deslocamento é realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e o doador tem direito a levar um acompanhante.
“Para acontecer o transplante é preciso 100% de compatibilidade entre doador e receptor e essa é justamente a principal dificuldade. Quando a pessoa não tem um parente compatível, a chance dela é o Redoma (rede de cadastro)”, explica. “O paciente que vai para o transplante já passou por todas as alternativas possíveis e o transplante é a sua última chance”.
Alinhada à importância da doação nos casos de doenças em que o transplante é a última alternativa de se salvar uma vida, a Lei 8672/09 não apenas institui o dia Municipal da Doação de Medula Óssea, como também prevê a divulgação e promoção da doação no município.
“A lei é mais abrangente. Está prevista nela que o município tem a obrigação de promover campanhas em locais de visibilidade como escolas, parques e unidades de saúde para promover o registro no cadastro de doadores”, explica o autor da lei, o vereador José Scaff Filho. “Essa mesma lei obriga o poder municipal, que até hoje não se manifestou, a divulgar o Dia Municipal da Doação de Medula através de todos os meios de comunicação. No Pará 112 pacientes aguardam por um transplante”.
(Diário do Pará)
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