O movimento “Não Vai Ter Copa” se espalhou pelas redes sociais desde que começaram os protestos que envolveram milhões de brasileiros, por todo o país, contra os altos investimentos do governo com o Mundial no Brasil. A Copa começou, mas para muitos não deveria nem ter começado. Os brasileiros que são contra a realização do torneio no Brasil, considerado o “País do Futebol”, afirmam que os gastos deveriam ser empregados em áreas carentes de investimentos como a saúde, a educação e o transporte público.
Dezenas de paraenses não ficaram indiferentes e também aderiram ao movimento. Eles passaram a questionar a supervalorização de um evento que, segundo eles, não vai trazer benefícios ao país. Muito pelo contrário, eles acreditam que os problemas devem proliferar após o término do Mundial. Apelidado de “Zangado” pelos amigos, o mecânico Walter dos Santos Garcia, 46, repudia a idolatria do povo para com a Seleção Brasileira. “Estava até brincando com meus amigos, dizendo que não adianta enfeitar que o Brasil não vai levar a Copa. O povo idolatra a seleção. A presidente deu isenção de impostos à Fifa, sendo que tantas outras coisas precisam de investimentos, como a educação. Outra coisa que acho errado é parar tudo em dia de jogo. Minhas filhas não tiveram aula por causa disso. O Brasil já não está em boas condições e ainda param tudo”, disse Walter.
Walter é o único de sua família que defende este pensamento. A esposa e as duas filhas assistem aos jogos e torcem pelo Brasil, mas respeitam a opinião do marido e pai. “Eu já vi o Brasil ser campeão e as minhas filhas ainda não. Então elas torcem. Mas o Brasil tinha que ser campeão na saúde, na educação. Se o país tivesse pelo menos mais ou menos eu até torceria. E se você prestar atenção as ruas não estão tão enfeitadas como nas outras copas, porque o povo está insatisfeito pela forma que o Brasil está hoje. Não assisto aos jogos”, explica.
O microempresário Sidney Henrique Margarido, 23, defende a mesma opinião. “Fiquei contra desde a última copa. Esses jogos têm muitos roubos, tanto dentro quanto fora de campo. Este ano teve uma votação para aumentar em até 50% as diárias dos senadores e ao mesmo tempo teve um jogo da seleção pra distrair essa votação. Eles fazem uma política de pão e circo e o povo não percebe. Durante o primeiro jogo dessa copa teve uma sessão no Senado e apenas um senador compareceu. Eles recebem pra estar lá, mas não vão”, assegura.
Sidney afirma ter perdido o encanto de acompanhar a Copa depois de fazer essas constatações. “O Brasil foi o único país que isentou a Fifa de pagar impostos. É a copa mais cara dos últimos tempos, que teve mais prazo para concluir as obras e muitas foram entregues inacabadas. Enquanto que o cidadão tem que pagar altos impostos. Não quero que o Brasil seja campeão. Estamos em ano de eleição e se o Brasil não ganhar as pessoas vão voltar a prestar atenção nos problemas que o país enfrenta. Existem estádios que não vão servir para nada depois da copa, que custaram um bilhão. Quantos hospitais daria para fazer com esse dinheiro?”, questionou o jovem.
(Diário do Pará)
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