Cerca de 1.200 famílias que moram no conjunto Benedito Monteiro, localizado no quilômetro sete da avenida Augusto Montenegro, no Tapanã, esperam apreensivas a próxima quinta-feira.
O futuro delas começa a se desenrolar na Justiça, juntamente com o destino do terreno em que vivem. Segundo a Associação dos Moradores do residencial, o terreno pertencia à Empresa de Construção Civil e Rodagem (ECCIR), que o hipotecou ao Banco do Brasil.
A área, segundo a associação, pode ir a leilão para pagar dívidas trabalhistas de ex-empregados da empresa. O medo é que haja uma reintegração de posse obrigando as famílias a desocuparem o lugar.Segundo Priscila Rodrigues, presidente da Associação dos Moradores do Residencial Benedito Monteiro, os moradores não querem ocupar irregularmente o terreno. “Nós queremos que seja tudo regularizado, dividido em lotes, de forma justa, e cada morador paga seu lote”.
Antônia Macedo, moradora, conta que posseiros já desocuparam o espaço. “A gente se mobilizou, fez a associação e agora só tá morando aqui quem realmente quer ficar. Infelizmente a gente sabe que tá lidando com os interesses de gente poderosa, mas espera que nossa situação sensibilize a Justiça porque alguém tem que olhar por nós”.
A irmã Lilian Oliveira, 33 anos, conta que a área do conjunto era usada para prática de crimes e assaltos, antes da ocupação. “Nós estamos mobilizados e já conseguimos muita coisa, como luz elétrica e coleta de lixo. Temos projetos comunitários e pretendemos ficar e viver em paz na nossa comunidade”. A reportagem não conseguiu contato com a ECCIR.
(Diário do Pará)
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