Com 80% dos casos de doença de Chagas do Brasil concentrados no Pará, segundo o Ministério da Saúde, um projeto de extensão da UFPA pretende munir alunos de Medicina e demais profissionais da área com informações relacionadas aos sintomas da doença.
Criado há dois anos, o projeto chamado “Contribuição com a Vigilância Epidemiológica em Doença de Chagas no Estado do Pará” capacita profissionais de saúde a partir de ações educativas multidisciplinares. “Nós queremos que os futuros médicos tenham habilidade para reconhecer a doença, possam identificá-la precocemente e tratá-la.
A ideia é que os alunos saiam com uma visão multidisciplinar sobre essa temática”, enfatiza a médica Dilma Souza, professora da Universidade Federal do Pará e coordenadora do projeto.Uma explicação para o percentual elevado no Estado está em uma das formas de transmissão da doença observada na região, que acontece por meio do consumo de alimentos e bebidas contaminados com fezes do inseto conhecido como barbeiro ou chupão.
Na Amazônia, as formas de transmissão que chamam atenção envolvem a transmissão vetorial, por insetos triatomíneos, e por via oral, pela contaminação de alimentos. Na infecção pela via vetorial, a pessoa coça o local da picada do barbeiro, fazendo com que as fezes infectadas com o parasita Trypanosoma cruzi – produzidas no momento da picada do barbeiro – penetrem pelo orifício que ele deixou.
PARCERIA
Palestras, peças teatrais e cartilhas estão entre as ações educativas desenvolvidas para capacitar esses profissionais. As atividades irão circular de forma padronizada por todo o Estado, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará. Para a médica Dilma Souza, um dos resultados mais significativos foi a criação de um Manual de Orientações sobre a doença de Chagas.
O conteúdo fala sobre a identificação, a prevenção e o tratamento da doença, além de trazer algumas recomendações para o atendimento ao paciente.Para falar da doença, alunos dos cursos de Medicina, Farmácia e Serviço Social encenaram peça teatral caracterizados de personagens regionais. “O objetivo foi atrair principalmente as crianças, pois elas são as maiores multiplicadoras dessas informações. Usamos a metodologia pedagógica como se fosse uma forma de lazer, uma informação cultural”, revela a professora.
Essa forma interativa de transmitir a informação é uma inovação em termos de conteúdos e recursos pedagógicos. O projeto incentivou o desenvolvimento de vários projetos de pesquisa e Trabalhos de Conclusão de Curso com a mesma temática, além de promover a formação de mais de 150 profissionais.
(Diário do Pará com informações da assessoria da UFPA)
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