Fundada em 1661, Santarém celebrou ontem seus 353 anos. A cidade é o principal centro urbano, universitário, comercial e cultural do oeste do Estado. Conhecida como ‘Pérola do Tapajós’, Santarém é cercada de belezas naturais, entre elas a vila de Alter do Chão, onde acontece a famosa Festa do Sairé.Antes da fundação da hoje cidade de Santarém, a ocupação das terras dominadas pelos nativos Tapajós se deu em 1626, com a chegada do comandante português Pedro Teixeira, que após a fundação de Belém chegou à aldeia junto com soldados e outros índios escravizados.
O processo de relação entre índios e brancos e da formação da sociedade miscigenada se deu com características semelhantes a outras cidades da Amazônia. Mas com uma ressalva: Teixeira foi pacífico com os indígenas, pois eles já haviam tido contato com europeus que passaram por aqui e demonstraram naturalidade. Na atual Santarém, lugares turísticos, praças e obras arquitetônicas contam bastante da história da fundação da cidade. O ponto zero na fundação da Pérola do Tapajós é a Praça Barão de Santarém e seu entorno, local onde provavelmente Pedro Teixeira desembarcou e onde viviam os indígenas.
Foi onde ocorreu o primeiro contato entre os tapajós e portugueses. “A chegada de Pedro Teixeira marca todo o processo de ocupação da cidade de Santarém e do início de contato entre os portugueses e os nativos da nossa terra”, afirma a historiadora Terezinha Amorim. O padre construiu a então capela de Nossa Senhora da Conceição, hoje igreja Matriz. No dia 22 de junho de 1661 ocorreu a fundação de Santarém. O personagem principal desse episódio é Felipe Bettendorf, padre jesuíta que foi trazido à foz do rio Tapajós para catequizar os índios.
Para a historiadora, a Missão do Tapajós comandada por Bettendorf foi um marco para a ocupação de todo o restante da região Norte. “A instalação é o embrião para a formação de Santarém, se configura em um dos marcos mais importantes para a ocupação do que seria hoje toda a nossa região, a região amazônica”, pondera Terezinha. A aldeia do Tapajós foi elevada à categoria de vila em 1758, no período do Brasil Império, pelo notável desenvolvimento econômico que desempenhou, e então recebeu o nome de Santarém, em homenagem à cidade de mesmo nome que existe em Portugal. Apenas em 1948 foi elevada à categoria de cidade. Nesta época, já era considerada polo na região oeste do Pará.
Comercial e rica em belezas naturais
Santarém é a principal cidade do oeste do Pará, e um centro comercial e político da mesorregião Baixo Amazonas. É a terceira cidade mais populosa do Pará, perdendo apenas para Belém e Ananindeua. Hoje fazem parte da Região Metropolitana de Santarém Mojuí dos Campos e Belterra. Segundo o senso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Santarém possui 294.580 mil habitantes, 51,5 % de homens e 48,5 de mulheres.
Atualmente tem tido destaque econômico nacional pela localização estratégica à margem direita do rio Tapajós, ótima para a exportação de produtos oriundos ou fabricados no Centro Sul, através do Porto de Santarém, por meio da rodovia BR 163 – Santarém/Cuiabá, além da instalação do Entreposto da Zona Franca de Manaus, em implantação.
Com o passar dos anos, Santarém tem se reafirmado como um município urbano, apesar de ter um forte potencial econômico rural na agropecuária, especialmente na agricultura familiar.Santarém é um polo na educação. Existem instaladas 16 instituições de ensino superior que juntas unem mais de 33.312 acadêmicos, matriculados em 69 cursos, além de outros 76,8 mil alunos que estão em intuições de ensino técnico, médio e fundamental, segundo dados do Centro Avançado de Estudos da Amazônia (Ceama). Os principais setores econômicos desenvolvidos são o de serviços, comercial, agricultura e pecuária, havendo uma queda com o passar dos anos nos setores madeireiro e extrativista.
Turismo
Segundo dados da Secretaria de Estado de Turismo (Setur), no ano passado, Santarém foi visitada por 23% dos turistas que têm o Estado do Pará como destino. A vila de Alter do Chão, o “caribe amazônico”, é parada obrigatória. É la que no mês de setembro é realizada a conhecida mundialmente festa do Sairé, evento profano/religioso que conta com uma vasta programação, que inclui o belo Festival dos Botos.
(Diário do Pará/Santarém)
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