Principal via de acesso a diversos importantes bairros do município de Ananindeua, a rodovia Mário Covas sofre com manutenção precária e abandono. É o que afirmam os moradores do entorno de toda a extensão da via, que denuncia a situação.
LAMA E BURACOS
A reportagem do DIÁRIO percorreu a rodovia para constatar as denúncias. Logo na entrada da via, quando à saída do acesso pelo viaduto na BR 316, uma série de buracos já surpreende o motorista que não conhece o percurso: eles podem ter sérias consequências para quem trafega em velocidade significativa.
Mais à frente, mais buracos são rapidamente encontrados. Mas dessa vez, não são apenas poças de lama, o que também não falta por ali. Agora são também bueiros com tampas ausentes ou cedidas por desgaste e falta de manutenção. Praticamente todos os bueiros de esgoto da rodovia Mário Covas hoje estão nessa situação, inclusive os que se encontram no centro da via -o que oferece riscos gravíssimos à direção. Um exemplo é o buraco aberto próximo ao Sesi, que é ainda bem próximo a um canal cheio de água de esgoto.
A armadilha é perigosa: o motorista que perder o controle do veículo por conta do buraco e facilmente pode cair dentro do canal que transborda em dias de chuva forte.
PNEUS E CRATERAS
Mais à frente, no perímetro mais crítico, entre a rodovia 40 Horas e a avenida Independência, ainda na Mário Covas, outro bueiro aberto. Esse já tem meses por ali, o que pode ser confirmado pelos vários pneus jogados dentro dele, colocados por trabalhadores do entorno, a fim de amenizar a situação e evitar acidentes já registrados.
Douglas Uchôa, proprietário de um lava-jato localizado bem em frente do bueiro aberto justifica porque colocou os pneus. “É para evitar que os veículos caiam no buraco e se acidentem, como já vi acontecer. Semana passada um motociclista foi surpreendido pelo buraco, se desequilibrou e foi cair longe. Mas com o tempo e o peso dos caminhões que passam aqui, o buraco acaba cedendo e os pneus caem dentro dele”.
Douglas construiu ainda uma tampa de madeira para outro bueiro aberto à beira da pista. “Pelo menos esse não causa acidente para os carros, mas pode acidentar uma pessoa caminhando. Ainda mais quando chove aqui enche tudo. É um risco para quem caminha por aqui”.
OBRAS INÚTEIS
O porteiro Elias Xavier trabalha em um conjunto residencial na rodovia Mário Covas há dois anos. Ele diz que o cenário sempre foi o mesmo. O residencial está no meio de duas poças de lama gigantes de um lado e de outro. “Um dia desses um motoqueiro foi desviar do buraco rapidamente e bateu em cheio num carro à frente. Teve confusão por isso, mas foi o buraco que causou o acidente, não foi imprudência de nenhum dos dois”, contou.
“A culpa mesmo é dos governantes, pois fazem um trabalho mal feito, maquiado. Eu já trabalhei nessa área e sei que o procedimento bem feito não é assim. Eles chegam aí, encostam o carro e jogam o asfalto na areia seca mesmo e vão embora. Serviço feito de qualquer jeito. Em poucos dias já se abrem as mesmas crateras e não adianta nada”, denuncia Xavier.
Já a professora Gracilda Franco mora há 36 anos na área e disse que não ficou surpreendida com as denúncias. “Isso não é nenhuma novidade, infelizmente a situação da Mário Covas não anda ruim de hoje. Faz tempo que isso não muda”, contou.
Procurada pelo DIÁRIO para falar sobre o abandono da rodovia, a prefeitura de Ananindeua não se pronunciou sobre o assunto até o fechamento desta edição.
(Diário do Pará)
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