Candidato à reeleição, o governador Simão Jatene continua a farra de inaugurações eleitoreiras pelo interior do Estado. Obras e projetos que ficaram ao relento por quase quatro anos estão sendo finalizadas a toque de caixa e, como num passe de mágica, sendo entregues à população às vésperas da eleição. A maioria dessas obras foi feitas com verba federal, como a Escola Técnica de Vigia, inaugurada ontem.
A Escola Técnica de Vigia é a única das 11 previstas para serem construídas no Pará a partir de um convênio firmado em 2010 entre o Ministério da Educação (MEC) e Secretaria de Estado de Educação (Seduc), no último ano da gestão da ex-governadora Ana Júlia Carepa (PT) a ser entregue até o momento.
O convênio, com verba federal, previa que as 11 escolas ficassem prontas e entregues em 2012, mas só agora, no ano eleitoral, Jatene consegue entregar a primeira delas, iniciada há quatro anos. Assessores da prefeitura informaram ao DIÁRIO que apenas o “esqueleto” da obra foi entregue: somente uma sala foi preparada para que as equipes de filmagem da propaganda do governador pudessem registrar a cena. A escola ainda não possui equipamentos para funcionar.Em seu discurso, Jatene disse que “não interessa de onde vem o recurso”.
A verdade é que o governo vem inaugurando e apadrinhando obras e serviços sem investimentos do Estado. Vigia é um exemplo: todas as obras executadas no município no atual governo foram feitas com verba federal: desde a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), reformas em postos de saúde, construção de novas Unidades Básicas de Saúde (UBS), além de casas do projeto Minha Casa, Minha Vida.
A insatisfação da população é tamanha que, se viesse pela estrada o governador iria enfrentar uma grande manifestação dos vigienses na estrada que dá acesso ao município, que cobrava obras e serviços prometidos e não entregues pelo governo ao município.
Avisado antecipadamente do risco, Jatene foi e voltou da Vigia de helicóptero e enfrentou uma recepção fria no evento prestigiado por poucas pessoas, a maioria de correligionários e secretários do prefeito Mauro Alexandre dos Santos Souza (PMDB), que sentou ao seu lado na cerimônia mesmo sem ter sido convidado a tempo para a inauguração da escola, que estava com as obras paradas há cerca de três anos.
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