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Degradação é responsável por perda de carbono

A exploração madeireira e os incêndios acidentais na região causam a perda de cerca de 54 milhões de toneladas de carbono, que representam 40% da perda anual pelo desmatamento da floresta, o que não vem sendo contabilizado nos números oficiais. Para se te

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A exploração madeireira e os incêndios acidentais na região causam a perda de cerca de 54 milhões de toneladas de carbono, que representam 40% da perda anual pelo desmatamento da floresta, o que não vem sendo contabilizado nos números oficiais. Para se ter uma ideia melhor dessa quantidade, a perda equivale ao desmatamento de uma área de 5,4 milhões de campos de futebol. A informação foi publicada este mês na revista científica Global Change Biology.

A pesquisa, desenvolvida pela Embrapa Amazônia Oriental, Universidade de Lancaster (Reino Unido) e Museu Paraense Emílio Goeldi, no âmbito da Rede Amazônia Sustentável, incluiu dados de campo de duas regiões da Amazônia Oriental: nos municípios paraenses de Belterra e Santarém, oeste, e Paragominas, nordeste do Pará. Foram 225 pontos de coleta. Nesses locais foram estudadas 87 mil amostras de plantas e 5 mil de solo.

A análise dos dados de campo foi combinada com a análise de imagens de satélite desde a década de 80. “Esse é um dos grandes diferenciais do trabalho, pois realizou-se uma pesquisa detalhada em áreas de florestas degradadas, que normalmente são difíceis de visualizar nas imagens de satélite, explica a pesquisadora Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental.

ESTOQUE

A quantidade estocada de carbono foi avaliada em diferentes tipos de florestas: intacta ou primária; com exploração seletiva de madeira; e explorada e queimada. Para chegar a essa quantidade, a conta é simples: 50% de uma árvore - a parte aérea (folhas) e madeira - é carbono, medida que vale para plantas em geral.

Os resultados do estudo nos diferentes tipos de floresta mostram que as perdas de carbono vão de 18% a 57% quando se compara as áreas degradadas às áreas intactas (ver infográfico com valores em toneladas de carbono por hectare).

A pesquisadora Erika Berenguer, da Universidade de Lancaster, primeira autora do artigo, diz que a degradação frequentemente começa com a extração de madeiras de alto valor comercial, como o mogno e o ipê. A retirada dessas árvores causa danos a dezenas de árvores vizinhas. Ela ressalta que o desmatamento significa a remoção completa da floresta, enquanto que a degradação significa que a floresta continua em pé, mas tem sua estrutura e suas funções profundamente afetadas.

“A degradação da floresta é um elemento importante a se considerar no papel que o Brasil desempenha frente às emissões de carbono”, explica Joice. Há a necessidade de políticas públicas voltadas para a redução do uso do fogo na agricultura e para o controle da extração ilegal de madeira.

Para o pesquisador Jos Barlow, da Universidade de Lancaster e do Goeldi, o estudo abre novas perspectivas para entender o uso da terra na Amazônia, os processos de degradação e os impactos da ação do homem sobre a floresta. “O próximo passo é entender melhor como essas florestas degradadas respondem a outras formas de distúrbios causados pelo homem, especialmente aqueles oriundos das mudanças climáticas, como períodos de seca mais severos e estações de chuva com maiores níveis de precipitação”.

(Diário do Pará)

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