Chega à beira do caos o setor de urgência e emergência 24h da Unidade Municipal de Saúde (UMS) da Marambaia. A denúncia é dos funcionários da UMS, que reclamam da falta de condições de trabalho no local. A unidade dispõe somente de dois médicos por plantão e quatro técnicos em enfermagem.
No plantão de ontem não havia recepcionista para preencher as fichas dos pacientes, nem porteiro para abrir a UMS. Também não tinha enfermeiro, responsável pela realização de toda a rotina de atendimento dos pacientes.
Segundo informações dos funcionários, a recepcionista e o porteiro estão de férias e o enfermeiro encontra-se de licença. A reportagem flagrou a farmacêutica se desdobrando entre a sua função e a de recepcionista. Da mesma forma, o vigilante cumpria o papel de porteiro e os técnicos em enfermagem fazendo o seu trabalho e o do farmacêutico.
Além da Marambaia, a UMS atende pessoas de pelo menos cinco bairros do entorno. Os problemas não param por aí. A falta de estrutura é facilmente percebida por quem precisa de atendimento no local. A sala de reanimação, uma das mais importantes da unidade, não tem ar condicionado, o eletrocardiograma está quebrado, o desfibrilador não funciona, apesar de ser vital para reanimar pacientes com problemas cardíacos.
“Todo o trabalho é feito de forma manual e num calor intenso. Até trago o meu ventilador de casa porque tem paciente que não aguenta a quentura”, diz uma médica plantonista.
PACIENTES
Para os pacientes, a situação é degradante. Nas enfermarias, também não há ar condicionado, assim como não há lençóis para cobrir as camas, obrigando os pacientes a serem atendidos em colchões descobertos e quentes.
Foi o caso da jovem Sâmara Adriane, que chegou à UMS ontem apresentando um quadro de febre intensa, dores estomacais e vômito. “Quando cheguei não tinha ninguém para me atender e ainda me colocaram nessa sala suja e quente. Aqui não tem conforto mínimo para quem chega passando mal”, reclama Adriane. Fábio Teixeira faz tratamento de depressão e rotineiramente procura a unidade para fazer a medicação, mas ontem teve esperar duas horas para ser atendido.
A medicação também é um problema enfrentado na unidade. “Não há medicação básica como diclofenaco e buscopan. Outro dia não tinha AS. O jeito é procurar outro remédio com efeito similar”, denuncia uma médica. A reportagem tentou contato, na noite de ontem, com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), mas ninguém foi encontrado para falar sobre o assunto.
(Diário do Pará)
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