Por volta de 6h30 do último sábado, já a postos para trabalhar, o ambulante Paulo Ronaldo Dias por pouco não foi atingido por um pedaço de viga, que despencou dos altos do Shopping Popular da João Alfredo, no centro comercial de Belém. Com a previsão de que a mudança dos ambulantes da via para o prédio ocorra no próximo dia 3 de agosto, a categoria teme pela própria segurança. “Já pensou se um negócio desse cai em cima de mim?”, questiona o ambulante.
Com a marca da queda ainda no chão, onde se formou um pequeno buraco, Paulo continua as atividades na calçada em frente ao prédio do shopping, mas não nega a incerteza pela queda de um novo pedaço de concreto. “Toda semana a gente falava que esse prédio não está em condições. Eu estava montando a barraca, tinha acabado de abrir e quase que esse negócio pega em mim”, lembra. “Eu lembro do susto. Ainda bem que não era em hora de movimento, ainda era cedo”, disse Paulo.
Guardado pelos ambulantes, o pesado bloco de concreto encobre os ferros que, subentende-se, seguravam a viga. Sem que a preocupação dos trabalhadores seja à toa, em uma rápida olhada para cima é possível identificar pelo menos mais duas pontas de vigas que parecem seguras apenas pelas barras de ferro. “Não sei o que essas pessoas estudam tanto. Estamos há três anos nessa história e não conseguem resolver o problema desse prédio”, indigna-se o presidente da Comissão dos Ambulantes do Centro Comercial de Belém, Luiz Octávio Brito.
“Nós não vamos entrar. Já mostramos pra todo mundo as condições desse prédio, temos fotos que mostram como alaga tudo aí dentro, as paredes todas com infiltrações. O segundo andar tá um rio!”, detalha.
Ambulantes dizem que não vão ocupar prédio
Com a liminar que adiou a mudança de 139 ambulantes que, antes, estava prevista para acontecer até o dia 24 de junho, os trabalhadores garantem que não vão sair das ruas no próximo dia 3, novo prazo. “Já estamos sabendo que estão entrando com uma ação para derrubar a liminar que o juiz deu favorável a gente. Vamos fechar o comércio três dias!”, garante.
“Se fosse viável a gente não ia querer tá lá dentro? Dia três é o prazo para a entrada, mas não vamos ocupar”, alega.
Apuração
Em nota, a Secretaria Municipal de Economia (Secon) informou que está apurando a situação e tranquiliza a população e os trabalhadores informais com relação às condições do prédio onde fica o Shopping Popular, que oferecerá conforto e total segurança aos frequentadores.
(Diário do Pará)
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