As muretas de proteção nas portas das casas mostram que o local é um ponto crítico de alagamentos e ontem não foi diferente.
Depois da chuva que caiu em Belém, no início da noite, os moradores do conjunto Paulo Freire, no bairro do Bengui, tiveram que enfiar literalmente o pé na lama para chegar em casa.
As ruas ficaram inundadas. O trânsito de carro só foi possível horas depois que a chuva passou e o volume de água diminuiu, mas sem eliminar os transtornos para a comunidade que pede por saneamento básico há, pelo menos, dez anos.
“Vocês precisavam ver como ficou isso aqui na hora da chuva, um rio”, descreveu a moradora Aramita Queiroz, 44, que mora na rua Iza Cunha. A via é o principal acesso para o interior do residencial e também a que apresenta uma das piores condições de saneamento. “Nós que tivemos que construir as valas para a água escorrer”, disse.
CASAS
Ao longo da rua é possível constatar que a maioria das casas foi erguida num nível bem acima da via. “Foram suspensas para evitar que água invada, mas tem vezes que nem a mureta de proteção ajuda e a lama entra nas casas”, reclamou a moradora, que estava preocupada com a possibilidade de voltar a chover e a rua voltar a alagar, pois a lama ainda não tinha secado.
Em agosto do ano passado, ela chegou a protocolar um ofício junto a Prefeitura de Belém, pelo qual solicitava aterro para ser usado para nivelar as ruas do conjunto e, com isto, tentar diminuir os riscos de alagamentos, mas até hoje não obteve resposta.
“Eu mesmo entreguei o documento lá e nunca tive nenhuma resposta. Quem pode comprar aterro aqui já comprou, mas tem famílias que não possuem condições”, ressaltou.
Já se aproximava das 22h quando a reportagem esteve no local e constatou os transtornos da comunidade. Uma tentativa de contato foi feita com a Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan), mas devido ao horário não tivemos êxito.
(Diário do Pará)
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