Em 20 anos de implantação do Plano Real no Brasil, o litro do açaí teve um aumento de 1000%, contra uma inflação de aproximadamente 375%, conforme diz a pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Os produtores e vendedores da bebida preferida dos paraenses atribuem a elevação dos preços ao crescimento da exportação para outros estados e países. Mesmo pesando no bolso dos consumidores, os paraenses não deixaram de consumi-lo diariamente.
Hoje, com o passar de 20 anos com o Plano Real, o consumidor pode encontrar o litro do açaí com a média de preço de R$15,76, com o reajuste recorde acumulado durante o período de julho de 1994 a junho de 2014, de 950,77%. Há 28 anos, Helito Modesto vende a bebida no mercado do Ver-o-Peso. Ele foi o primeiro comerciante a vender açaí com comida no local, entre eles, o peixe-frito. O vendedor inspirou a atividade na família, e seus parentes e filhas atualmente seguem a profissão.
“Não foi só o açaí que teve aumento de preço nos últimos anos. Todos os produtos também tiveram. Devido à exportação, o valor aumentou bastante. Antes, ele era consumido só no Pará e na região Norte do país. Hoje em dia o consumo no Sul e no exterior tem crescido bastante. Mas, mesmo com esse aumento a procura ainda continua sendo grande aqui. Paraense sem açaí é o mesmo que presidiário sem mulher”, brincou o comerciante.
VER-O-PESO
No mercado do Ver-o-Peso, o litro do açaí popular é de R$14. Mas quem quiser aliar uma porção de 300 ml da bebida com um prato de peixe-frito vai ter que desembolsar entre R$12 a R$18. O soldado do Corpo de Bombeiros Luiz do Carmo sentiu no bolso o aumento, mas não deixa de tomar a bebida nenhum dia. “Deu para sentir que ficou mais caro. Então, temos que equilibrar. Antes eu tomava no almoço e no jantar, agora ficou só no almoço. Em média, o açaí diário pesa 20% no orçamento do mês”, lamentou.
Na feira da 25, também muito procurada para a compra da bebida, não se encontra o litro do açaí popular. “Aqui só vendemos açaí médio, que já é bem grosso. Eu acredito que a exportação tem deixado mais caro o produto”, disse Cláudio Costa, gerente de um ponto de açaí na feira. No local, Maria do Rosário estava comprando 10 litros para mandar a um casal de amigos de Fortaleza. “Eles não são paraenses, mas adoram o açaí”, disse.
Na Feira do Açaí, onde é revendido o fruto para os batedores da capital, a lata pequena, que rende aproximadamente 10 litros do açaí popular, custa em média de R$ 28 a R$ 25. “O que diferencia os valores é a qualidade do produto e da onde vem. Os produtores das ilhas de Belém cobram mais caro que os outros, devido o açaí produzido por eles ser mais novo. Eles colhem e trazem logo. Já os de outras regiões, como passa mais tempo, fica menor o valor, por ter a qualidade inferior”, afirmou Antônio Trindade, revendedor do fruto.
A expectativa é que a partir da segunda semana de julho o preço fique mais barato. “Com o período da maior produção do açaí chegando, ele vai ficar bem mais barato do que está agora. Quando mais aumentar a quantidade, o valor cai. O período da safra vai até dezembro, onde o preço começa a subir novamente”, contou Antônio.
PESQUISA
De acordo com a pesquisa divulgada no último dia 15, a alimentação dos paraenses teve um aumento generalizado durante os últimos 20 anos. No mês de julho de 1994, o litro do açaí médio, comercializado em Belém e na Região Metropolitana, custava R$ 1,50. O valor foi subindo com passar dos anos na capital. No mesmo período de 2000, a porção chegou a R$ 3,33. Ano passado, a mesma quantidade valia R$ 14,71.
(Diário do Pará)
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