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Homem morre à espera de cirurgia no HOL

Após dar entrada no Hospital Ophyr Loyola (HOL), em Belém, para a retirada de um tumor maligno no estômago, o agricultor Manoel Nonato da Silva Moreira veio a óbito, na terça-feira (22). De acordo com os familiares, a demora de 20 dias para a cirurgia e u

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Após dar entrada no Hospital Ophyr Loyola (HOL), em Belém, para a retirada de um tumor maligno no estômago, o agricultor Manoel Nonato da Silva Moreira veio a óbito, na terça-feira (22). De acordo com os familiares, a demora de 20 dias para a cirurgia e uma suposta negligência do hospital teriam sido os motivos que levaram o homem a morte.

O câncer do agricultor foi diagnosticado em janeiro deste ano. Desesperada com o diagnóstico, a família procurou o hospital, que é referência em tratamento oncológico da rede de saúde pública do Estado, para fazer o tratamento. Porém, por uma suposta falta de material cirúrgico, leito, e uma falha na comunicação entre médicos, posto de enfermagem e assistentes sociais, a situação de Manoel teria sido agravada, o que possivelmente teria levado a óbito.

“A médica do hospital pediu para que os exames fossem feitos com urgência, então fizemos particular. Disse que a cirurgia tinha que ser feita em 30 dias e, nesse tempo, nós aguardaríamos a chegada do material cirúrgico, que não tinha no hospital. Esperamos em casa eles entrarem em contato. Como isso não aconteceu, eu fui lá. A assistente social negou a falta de material e informou que o problema era a falta de leito”, disse a técnica de informática Marlene Gonçalves, filha de Manoel.

De acordo com Marlene, a assistente social disse que o problema que impossibilitava a cirurgia era que a médica responsável pelo quadro do agricultor não tinha encaminhado a guia de urgência para realizar a internação e o procedimento. “Fiquei preocupada. Se fosse esperar até agosto, meu pai poderia morrer. Antecipei minhas férias do trabalho só para cuidar dele e, mesmo assim, a cirurgia não estava marcada. Disse a eles que ia ao Ministério Público para denunciar e nenhuma providência o hospital tomou”, explicou.

No dia 3 de junho, o agricultor passou mal e foi levado ao HOL. Chegando a instituição, Manoel tomou um soro e voltou para casa. Após dois dias, o agricultor voltou a não se sentir bem e ficou internado em uma maca provisória durante oito dias. Revoltada com a situação, a filha do paciente procurou novamente a médica, que não a recebeu, e mandou sua secretária dizer que o problema de seu pai já estava resolvido.

“A assistente social disse que ele só podia subir depois da guia. Então, conseguimos que um residente desse o documento. Meu pai subiu. Já em jejum para fazer a cirurgia, o médico que ia operá-lo, que é marido da médica que não deu a guia, disse que o quadro do meu pai não era de caráter de urgência. Ele disse que ia usar o material, que estava pouco, em outro paciente, que considerava com o quadro mais grave. Meu pai permaneceu internado”, contou a técnica.

QUEDA

Manoel continuou internado e seguiu sem fazer a cirurgia. “Com os dias, percebi que meu pai estava piorando e, como ele estava fraco, precisava de um acompanhante. Como ele não poderia ficar sozinho, já que a sua idade não permitia acompanhante, pedi uma autorização da chefe de enfermagem, que autorizou que eu ficasse com ele. Quando foi de tarde, fui acompanhá-lo, mas a enfermeira que estava de plantão não deixou. Ela afirmou que a outra não havia deixado nada por escrito. Meu pai continuou sozinho, quando ele foi ao banheiro, caiu, bateu a cabeça e sangrou muito. Daí ele piorou bastante”.

O agricultor continuou internado, sem fazer a cirurgia. No dia 22 de junho ele não resistiu e faleceu. “Veio a óbito e a cirurgia não foi realizada pelo hospital. Já registrei um Boletim de Ocorrência. Tenho todas as provas que ele entrou em um estado e saiu morto. Anotava tudo que acontecia em uma agenda. Vou procurar o Ministério Público”, desabafou a filha.

RESPOSTA

Em nota enviada ao DIÁRIO, o Hospital Ophir Loyola informou que está apurando internamente todo o processo de atendimento e tratamento do paciente. Ao concluir o levantamento encaminhará ao veículo os devidos esclarecimentos.

(Diário do Pará)

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