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Pedalar pela cidade é um risco cada vez maior

Uma prática que atrai centenas de adeptos em Belém é a utilização de bicicletas com diversos objetivos. As belas paisagens, as curtas distâncias e ainda a relação custo-benefício favorecem o aumento do número de pessoas que optam pelo ciclismo como meio d

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Uma prática que atrai centenas de adeptos em Belém é a utilização de bicicletas com diversos objetivos. As belas paisagens, as curtas distâncias e ainda a relação custo-benefício favorecem o aumento do número de pessoas que optam pelo ciclismo como meio de transporte.

Porém, dois pontos principais concorrem com a possibilidade de trocar os veículos maiores pela bicicleta: a falta de estrutura adequada para a sua utilização nas ruas e a ausência de respeito mútuo entre ciclistas e outros condutores que trafegam em avenidas do centro da cidade ou nas periferias.

Por todos os lugares, é comum encontrar algum tipo de irregularidade que leva ao desrespeito no trânsito. Com o objetivo de ganharem mais tempo, motociclistas invadem a ciclovia, na rua dos Mundurucus, próximo à Alcindo Cacela. Em outro momento, ciclistas são vistos passando na contramão da mesma rua.

Na rua Engenheiro Fernando Guilhon, no bairro do Jurunas, o fluxo de pedestres e de veículos intenso dificulta ainda mais um ordenamento no trânsito. Raimundo Oliveira, de 55 anos, sai deste bairro para o centro de Belém, de bicicleta. Todos os dias ele tem o mesmo cuidado. “Procuro andar devagar, porque não tem ciclovias durante o percurso. Geralmente não somos respeitados por motociclistas ou outros motoristas. Já tive ferimentos, mas nada grave”, contou.

Lauro Harper, de 61 anos, é psicólogo de formação, mas participa de um movimento que incentiva as pedaladas. Há doze anos ele usa a bicicleta como meio exclusivo de locomoção. Para ele, não há planejamento público para a inclusão de ciclistas no trânsito. “Inúmeras ruas não possuem estrutura nenhuma para o ciclismo. As ciclofaixas não se integram às avenidas principais, por exemplo, na rua dos Mundurucus. Isso significa que não há planejamento para inserir o ciclista no trânsito”, disse.

Outro ponto criticado por ele são as calçadas compartilhadas com pedestres. “Não tenho nada contra as calçadas compartilhadas, mas colocá-las para serem divididas com pedestres em pontos de ônibus é um absurdo. Falta planejamento e engenharia de trânsito”, desabafou Harper.

Inserir o ciclista no trânsito é um dos maiores desafios para quem possui a responsabilidade de gerir o funcionamento regular dele. “Mostrar para a sociedade que o ciclista tem o direito de circular e de fazer isso em segurança é um dos grandes desafios. Além do mais, os ciclistas também devem se comportar adequadamente no trânsito”, disse a diretora da Superintendência de Mobilidade Urbana (Semob), Maíza Tobias.

No Código de Trânsito Brasileiro, há regras específicas para a utilização de bicicletas. “Os veículos menores possuem a preferencial no trânsito, mas percebemos que muitas pessoas não iniciam a prática por medo de serem atingidas por outros veículos que não respeitam os direitos de cada um no trânsito”, disse Harper.

O agente de viagens Robinson Bahia, de 43 anos, utiliza bicicleta para o deslocamento de sua residência para o local de trabalho, percorrendo um espaço de cinco quilômetros todos os dias. Para ele, o respeito mútuo é um valor que deveria ser seguido por todos. “Não existe uma consciência da sociedade, como um todo, de que nós (ciclistas) fazemos parte do trânsito. Quanto ao governo, percebemos que há uma preocupação com a fluidez do trânsito, no aspecto do fluxo de veículos maiores, e não com a proteção da vida. Ciclistas e pedestres parecem inexistir na engenharia do trânsito”, avaliou.

Bahia defendeu que investimentos e uma diversificação do meio de transporte público de massa poderiam atenuar essa situação. “Ou o governo passa a repensar a mudança do tipo de transporte que poderia ser o hidroviário, (já que o estado possui condições naturais para isso), de forma mais séria, ou Belém vai parar, por conta do excesso da frota de veículos que circulam na cidade”, alertou.

Segundo estimativa da comunidade “Bicicletada”, muito popular nas redes sociais, pelo menos mil pessoas utilizam este meio para lazer ou transporte esporádico. Só na construção civil, metade dos operários utiliza o meio exclusivamente.

ATROPELAMENTO

Ainda na manhã da última segunda-feira, um pedreiro que utilizava uma bicicleta para o deslocamento ao trabalho foi morto ao ser atingido por um veículo da Marinha, na rodovia Arthur Bernardes, no bairro de Val-de-Cans, no momento em que o veículo entrava na Base Naval.

(Diário do Pará)

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