O pior, porém, é “celebrar” o bilhão de gastos em saúde de Jatene, como faz a matéria do jornal para tentar enganar a população, levando-a a acreditar que se trata de muito dinheiro. Não é. Porque é preciso dividir esse bilhão da saúde pela população do Pará, para saber quanto foi, afinal, o gasto per capita de 2013, ou seja, o gasto por pessoa.
Mais ou menos como a gente faz em casa: dois mil reais só para uma pessoa, já dá pro gasto. Mas dois mil reais divididos por dez são uma mixaria. E é essa conta da per capita que demonstra a insignificância dos gastos em Saúde de Jatene: foram apenas R$ 235,98 por habitante do Pará, ao longo de todo o ano de 2013, ou apenas 60 centavos por dia, por cidadão.
E isso quando se considera o gasto total em Saúde. Porque, quando se considera apenas o que o Governo Jatene gastou do próprio bolso, ou seja, apenas com recursos próprios, essa per capita fica ainda menor: foram apenas R$ 190,73 por habitante, ao longo de todo o ano de 2013 – ou apenas 52 centavos por dia.
Os R$ 235,98 gastos por Jatene, por habitante, foram o terceiro pior gasto per capita do Brasil, no ano passado, conforme o levantamento feito pelo DIÁRIO no SIOPS.
A pesquisa do DIÁRIO, aliás, confirmou um levantamento divulgado, em meados de julho, pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), com base nos Relatórios Resumidos de Execução Orçamentária (RREOs) dos estados e municípios, que se encontram na Secretaria do Tesouro Nacional (STN). No levantamento do CFM, só os paupérrimos estados de Alagoas e Maranhão gastaram menos do que o Pará, por habitante, em 2013.
E, no levantamento do CFM, a per capita paraense foi até menor: apenas R$ 218,18 por habitante, em saúde, ao longo de todo o ano passado, ou míseros 61 centavos por dia, por cidadão.
(Diário do Pará)
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