A construção de um muro em uma das entradas principais do conjunto Pedro Teixeira, no bairro do Coqueiro, em Belém, dividiu opiniões de moradores e comerciantes da área. O motivo da medida é o grande número de assaltos e de recentes arrombamentos no conjunto.
Moradores afirmam que se sentem ameaçados com a facilidade de acesso de pessoas de outros lugares que possuem um histórico de criminalidade, como o bairro da Cabanagem e do Satélite. Os comerciantes, por sua vez, estão preocupados com a redução da clientela, com o levantamento do muro.
O comerciante Moisés Souza, de 28 anos, disse que é contra a construção do muro. “Para os comerciantes, as vendas poderão ser afetadas, já que o público deve ser reduzido depois que o muro for totalmente levantado”, argumentou.
A obra, segundo moradores, tem autorização para ser realizada. Entretanto, acaba contrariando o Código de Posturas do Município, que proíbe a construção de tapumes ou obstáculos ao trânsito de pessoas em espaços públicos. A decisão de construir o muro foi definida em assembleia, que reuniu moradores e comerciantes há dois meses.
Relato
Uma moradora do conjunto há 20 anos disse que foi uma das vítimas de um arrombamento na própria casa na última segunda-feira. “Estava em casa com um amigo e minhas duas filhas quando cinco pessoas invadiram a minha casa e me agrediram, depois de ameaçar minhas filhas que estavam no quarto. Quando fui verificar o que estava acontecendo, um deles partiu para cima de mim e me deu muitas bofetadas. Depois, levou nossos celulares e o roteador de internet. Agora estou com hematomas e já fiz exame de corpo delito para comprovar a agressão”, disse.
A dona de casa Selma Pampont, 44 anos, disse que o policiamento na área é raro e que os moradores estão abandonados.
A intenção da Associação dos Moradores com a construção do muro é impedir a entrada de pessoas consideradas suspeitas e amenizar os assaltos, uma vez que, segundo os moradores, falta policiamento e as pessoas não costumam registrar Boletim de Ocorrência (BO), deixando de ser enquadradas nas estatísticas.
O DIÁRIO contatou a Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb) e a Prefeitura de Belém, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. Já a Polícia Militar (PM) afirmou que o policiamento na região do “Pedro Teixeira é feito em caráter permanente (24h), com viaturas e motocicletas, além de uma base móvel de apoio e as operações realizadas diariamente na área, com apoio de outros órgãos”.
A nota diz ainda que a PM tem disponibilizado canais de diálogo com a comunidade local a fim de reforçar as ações de segurança na região.
(Diário do Pará)
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