A bandeira branca pendurada no portão da casa da dona Socorro Monteiro, 50, indica que ela clama por melhorias na rua São Marcos onde mora, no bairro do Marco, em Belém. Ela e outras dezenas de moradores colocaram as bandeiras em frente de suas residências para dar início ao movimento “SOS baixada do Marco”, para cobrar do poder público o fim dos alagamentos constantes na área e também agilidade nas obras de macrodrenagem do canal do Tucunduba. A primeira mobilização foi realizada no sábado, 2, e serviu para dar início a demarcação dos pontos mais críticos.
Nas passagens Hortinha e São Marcos, os alagamentos são tão antigos que em meio ao aguaceiro já se observa espécies de peixes. “Parece que até a natureza encontrou um jeito de sobreviver em meio a este esquecimento do poder público”, desabafou Socorro Monteiro, que mora há 35 anos na área e ressalta que o cenário de abandono sempre foi uma característica presente no local.
De acordo com o coordenador do movimento, Moisés Azulay, a comunidade há alguns anos tenta se mobilizar para pedir por melhorias, mas somente agora o projeto conseguiu ser executado. “Nós já tivemos duas reuniões com a Seidurb (Secretaria de Estado de Integração Regional e Desenvolvimento Urbano e Metropolitano), responsável pela obra de Macrodrenagem do Tucunduba, mas não tivemos resposta”.
DEMORA
Ele aponta que a demora nas obras do Tucunduba tem influenciado diretamente nos alagamentos no Marco, uma vez que toda aquela água acumulada deveria escoar para o Tucunduba. “No total, 109 famílias precisam ser remanejadas do canal para que as obras sejam retomadas. Deste total, 29 delas construíram as casas sobre o canal e elas bloquearam o escoamento das águas. É preciso que o governo implante políticas de moradia para essas pessoas”, comentou Moisés.
Morador da baixada há 40 anos, o aposentado Antônio Ferreira diz que viu igapós sumirem de vários bairros de Belém, mas no bairro do Marco eles sempre foram uma realidade. De acordo com ele, a situação fica mais complexa quando, para tentar diminuir os transtornos, alguns moradores jogam aterro nos terrenos para que as casas fiquem acima do nível da água. “Se não for assim, ninguém sabe o que é rua e o que é canal. Este é o mundo que temos ao descer a João Paulo II”.
Por causa do problema, muitos moradores abandonaram as suas casas e os terrenos se transformaram em um verdadeiro lago de esgoto. “Este é um outro problema que a gente enfrenta porque a água acaba acumulando na rua e no terreno ao lado”, acrescenta dona Socorro.
A ação de mobilização do movimento SOS Baixada do Marco percorreu as passagens Hortinha, São Sebastão, Acatauassú Nunes, Trindade, Pio X e José Leal Martins. No próximo final de semana, eles farão uma mobilização junto aos moradores da Vileta, Mariz e Barros e Timbó.
A reportagem entrou em contato com a Sesan e a Seidurb, mas até o fechamento da matéria não recebemos nenhuma resposta sobre o problema dos alagamentos no local citado.
(Diário do Pará)
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