O presidente em exercício da Executiva Estadual do PMDB, Helder Barbalho, classificou ontem à tarde como “uma manobra escapista” a decisão do Governo do Estado de ingressar, na Justiça Federal, com ação civil pública pedindo que seja tornada sem efeito a autorização concedida pela Aneel para um novo aumento da tarifa de energia elétrica no Pará.
A iniciativa do governo, conforme frisou Helder, não elide o fato de que as coisas começaram muito erradas lá atrás. “A privatização da Celpa, num processo coordenado todo ele pelo atual governador, foi muito mal concebida e pior ainda executada”, afirmou o presidente em exercício do PMDB no Pará.
Ele reconhece que houve privatizações bem sucedidas no Brasil, entre as quais aponta a área de telecomunicações. “Mas este não foi o caso da Celpa, cuja privatização desastrosa custou um preço alto demais que até hoje está sendo pago pelos consumidores paraenses”, enfatizou.
VENDA
O dirigente do partido lembrou que a Celpa foi vendida em julho de 1998 para o Grupo Rede Energia por valor equivalente a 450 milhões de dólares. Retirada do controle do Estado, a empresa foi parar nas mãos de um grupo que tinha, como se viu, seríssimos problemas de gestão. Tanto – acrescentou – que apenas 14 anos depois a empresa, falida, foi passada em frente pelo valor meramente simbólico de um real”.
As consequências desse processo danoso, para a população e para o Estado, foram e continuam sendo extremamente graves, segundo ele. Para os consumidores, pela perda contínua da qualidade dos serviços e pela elevação absurda e abusiva das tarifas. Ao mesmo tempo, perdeu a economia paraense pela inibição aos investimentos causada pelo alto custo da energia e pela perda de rentabilidade das empresas. Até o programa Luz para Todos acabou comprometido porque a concessionária, executora do programa, perdeu por completo a sua capacidade de investimentos.
Outro aspecto que precisa ser levado em conta, ainda de acordo com Helder Barbalho, é o posicionamento do Estado dentro do setor elétrico brasileiro e de que forma o governo administra a sua condição de grande produtor e exportador de energia.
O que o Estado deve fazer, segundo ele, é buscar mecanismos de ressarcimento, já que se tornará, dentro dos próximos dez anos, o maior produtor e exportador de energia do país. “É preciso que a sociedade paraense se sinta sócia e participante da riqueza proporcionada pela geração de energia e não ser lembrada apenas na hora de pagar a conta, cada vez mais salgada”.
(Diário do Pará)
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