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Reajuste terá reflexo em vários setores

Desde o último dia 7, passou a valer o reajuste de 34, 34% na tarifa de energia de dois milhões de paraenses. O valor foi estipulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Além de o aumento elevar a conta de luz nas residências, também refleti

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Desde o último dia 7, passou a valer o reajuste de 34, 34% na tarifa de energia de dois milhões de paraenses. O valor foi estipulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Além de o aumento elevar a conta de luz nas residências, também refletirá no preço dos alimentos e serviços oferecidos aos consumidores, já que a energia elétrica move o setor do comércio e indústria, cujo aumento foi de 36,41%.

De acordo com o supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Roberto Sena, a conta de energia aumentou e, consequentemente, o resto dos serviços também deverá ficar mais caro. ‘’Se o cidadão for ao supermercado, pagará duas vezes mais, pois os produtos também subirão de preço. Paga na conta e paga logo depois nos bens e serviços. É o que chamamos de efeito cascata. Esse é o maior reajuste de energia no Pará e um dos maiores no país’’, e acrescenta: “O reajuste salarial não se comparou ao aumento de energia’’. Ele destaca que cerca de 40% dos trabalhadores paraenses que recebem um salário mínimo serão os mais afetados.

Karyn Sarges, 33, é dona de um salão de beleza no centro de Belém. Ela paga por mês aproximadamente R$ 350 de energia elétrica. A empresária é enfática em dizer que, com o reajuste, aumentará o preço dos serviços. “Com certeza vai aumentar. O cliente vem atrás de conforto como ar condicionado, água gelada, televisão. Não tem como deixar sem isso”. Para economizar, Karyn tem a estratégia. “Não tem cliente, desligo o ar condicionado e a televisão’’.

Proprietário de uma loja de estofamentos automotivos, Augusto Maia, 62 anos, prevê a redução da clientela. “Vamos aumentar o valor do trabalho e, consequentemente, diminuirá o movimento. É sempre assim. Isso é um absurdo. Usamos máquinas industriais de costura. Não tem como parar. Se parar, fecha a loja. Pago de 600 a 700 reais por mês de luz, vai subir demais esse valor’’.

O jeito é tentar reduzir e mudar alguns hábitos de consumo. É o que orienta o engenheiro eletricista Orlando Sobral. Ele diz que o principal vilão da energia é o ar condicionado. “Devido ao clima de Belém, o ar condicionado é usado todos os dias. Muita gente usa antes de dormir, então, ao acordar, tem que desligar”, orienta.

Deixar a televisão ligada na tomada no modo ‘standby’, quando o aparelho não está totalmente desligado, pode ocasionar no fim do mês um gasto de energia maior que o previsto no orçamento. “No modo ‘standby’, o consumo é pequeno. Mas multiplica isso por 24 horas e multiplica por trinta dias. No fim, o consumo é grande”, explica Orlando.

O engenheiro aconselha os consumidores a adquirir aparelhos com o Selo do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), que indica o nível de consumo de cada aparelho. “As novas geladeiras têm consumo eficiente, consumo de nível A no Selo Procel. Não consome tanto quanto as antigas. Elas são mais caras, porém a pessoa paga na prestação a economia do consumo”.

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(Diário do Pará)

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