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Mortes e abrigos jogados no lixo

O BRT da avenida Almirante Barroso, na prática, ainda não existe. Só na cabeça dos marqueteiros da prefeitura de Belém. Se existisse de fato, pela pista exclusiva do BRT deveriam trafegar ônibus articulados e biarticulados, com capacidade para 105 e 170 p

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O BRT da avenida Almirante Barroso, na prática, ainda não existe. Só na cabeça dos marqueteiros da prefeitura de Belém. Se existisse de fato, pela pista exclusiva do BRT deveriam trafegar ônibus articulados e biarticulados, com capacidade para 105 e 170 passageiros. O projeto original previa ônibus articulados, com capacidade para 170 passageiros, e biarticulados para até 270 passageiros. Até hoje não se explicou porque essa capacidade foi reduzida.

Na verdade, a atual pista do BRT, por onde circulam ônibus velhos e poluidores das chamadas linhas expressas, virou palco de horrores, com mortes violentas e atropelamentos de ciclistas e motociclistas que chocam a população. Enquanto isso, nas pistas laterais, seja no sentido de entrada ou saída da cidade, os engarrafamentos são diários.

Parte do dinheiro da obra, cerca de R$ 10 milhões, foi literalmente jogada fora. Ou abandonada, como no caso dos abrigos que serviriam para os passageiros. Esses abrigos foram localizados pelo DIÁRIO em um matagal na avenida Augusto Montenegro, próximo de Icoaraci. No total, seis fotografias também compõem um álbum publicado na fan page “Anonymous Pará”, no último dia 5. Até o fim da noite de quinta-feira, a página já havia alcançado 730 compartilhamentos.

Quem trafega pela Almirante Barroso nota que as faixas construídas para os ônibus biarticulados do BRT são usadas como corredores expressos para algumas linhas de ônibus que circulam pela Região Metropolitana. Algumas imagens na fan page do Anonymous também revelam que, além das paradas, estão abandonadas no mesmo terreno grades que antes cercavam a ciclovia na Almirante Barroso.

De acordo com explicações da Semob, os abrigos abandonados no terreno baldio pertencem à empresa privada que ganhou a licitação da primeira fase do BRT, durante a gestão de Duciomar Costa. O modelo da estação de passageiros, alega a Semob, não foi aprovado pela PMB nem pela Caixa Econômica Federal, que financiou o projeto. Por conta disso, elas foram retiradas da avenida “sem gastos de dinheiro publico”. A explicação da Semob chega a ser risível. O empresário, então, nada recebeu da prefeitura? Ou fez uma caridosa doação ao poder público, assumindo agora o prejuízo?

A Semob ressalta que, por serem de propriedade particular, cabe à empresa dar o destino aos abrigos. “Das 23 estações-tubo adquiridas na gestão passada, 11 estão abandonadas em Icoaraci. Cada parada mede 17,18 metros por 2,5 de largura e o seu valor unitário gira em torno de R$ 120 mil reais”, afirma a fan page do Anonymous.

(Diário do Pará)

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