Longe de ser uma estratégia apenas dos moradores da rua Ricardo Borges, a utilização de mototáxis para circular na via com pouco mais de segurança é repetida pelos que moram nas ruas paralelas, também no bairro da Guanabara. Na rua 1º de Maio, onde, inclusive, está instalada a delegacia da Guanabara, ainda que a distância da BR até o destino seja de 500 metros, o uso do serviço de transporte é quase indispensável. “Se não pegar um mototáxi, é assaltado! Tem que pagar R$3 para andar 500 metros só para não ser assaltado. Aqui é a qualquer hora”, garante o taxista Marcelo Tavares, indignado com a falta de segurança no bairro onde mora há mais de 20 anos. “A minha irmã foi assaltada há dois meses em frente à delegacia, acredita nisso? Essa delegacia vive fechada. Quando a gente tem que fazer ocorrência, tem que ir para a delegacia da Marambaia”.
Depois da irmã, Marcelo lembra que a sobrinha adolescente foi a vítima mais recente da insegurança no bairro. Na porta de casa com outras três amigas, a adolescente foi surpreendida por um homem armado, que roubou três celulares e fugiu em uma moto. “Assaltaram elas às 10h da manhã. O cara chegou com um revólver e assaltou elas em plena luz do dia!”, revoltava-se, ao lembrar que as deficiências do serviço público que levam à insegurança no bairro vão além da ausência de policiamento.
“A iluminação aqui é horrível, é velha e já não dá mais conta de nada. À noite aqui fica um breu. Escuro, escuro, escuro. À noite, o que a gente escuta de grito de gente que sendo assaltada... a coisa aqui tá feia”.
Outra moradora antiga do bairro, a aposentada Iolene Dias, 63 anos, confirma que a insegurança também chega à rua Jardim Esmeralda, ainda que a movimentação e o fluxo de pessoas lá seja bem maior. Com receio de ser assaltada sempre que precisa pôr os pés para fora de casa, ela anseia por mais policiamento.
“A segurança tá nota zero. É muito bandido, muito assalto aqui nessa rua. Muito assalto mesmo”, reforça. “Aqui custa a passar uma viatura. Se tivesse uma ronda por aqui, seria melhor, né? Tem uma delegacia aqui perto, mas não adianta. O pessoal sempre manda lá pra Marambaia”. Apesar das reclamações, na manhã da última segunda-feira, a Unidade Integrada de Polícia da Guanabara estava em funcionamento.
(Diário do Pará)
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