Embora seja considerada muito baixa, para não dizer praticamente nula nas condições atuais a possibilidade da chegada do Ebola ao Brasil, é pelo menos tranquilizador saber que o país está capacitado para diagnosticar a doença e identificar o vírus. O Instituto Evandro Chagas, referência no tratamento de doenças infectocontagiosas no Pará e na região Norte, já recebeu, do Ministério da Saúde, um alerta para que fique de prontidão para agir de imediato na hipótese de vir a aparecer algum caso suspeito de Ebola no Brasil. Caso isso aconteça, o instituto está apto a fornecer um diagnóstico preciso e conclusivo em no máximo dois dias, prazo este contado a partir do momento em que for recebido o material para exame.
O chefe da Seção de Arbovirologia do IEC, Pedro Fernando da Costa Vasconcelos, especialista em febres hemorrágicas – categoria de doenças em que se incluem o Ebola, a dengue e a malária –, reafirmou ontem que o instituto ficará responsável por realizar o diagnóstico preliminar da doença, na eventualidade de surgir algum caso no Brasil. Nesse trabalho, a equipe do Evandro Chagas empregará, se for o caso, uma das técnicas de biologia molecular, que são as mais modernas que existem para diagnóstico. O pesquisador garantiu que se trata da técnica mais rápida, mais segura, mais específica e mais sensível existente na atualidade, a ponto de permitir que seja detectado o genoma da família do vírus.
Pedro Vasconcelos destacou que o Ministério da Saúde, através da Secretaria de Vigilância em Saúde, está coordenando, no plano nacional, todas as atividades relacionadas com a prevenção à entrada do vírus no Brasil e de atendimento médico, caso isso venha a acontecer. No protocolo de atendimento, incluem-se a coleta de material do paciente suspeito de estar com a doença, envio e realização de testes laboratoriais. Para o pesquisador do Instituto Evandro Chagas, o Ministério da Saúde tomou essa iniciativa em decorrência da declaração da Organização Mundial de Saúde, que classificou como uma emergência sanitária internacional a atual epidemia de Ebola.
A preocupação da comunidade médica internacional vem aumentando com o surgimento de casos isolados de Ebola na Nigéria, por ser o país mais populoso da África, hoje com cerca de 180 milhões de habitantes, uma população quase equivalente à do Brasil. Para o governo brasileiro em especial, o aparecimento da doença na Nigéria deve soar o alarme: além de ser grande exportador de óleo bruto para o Brasil, o país africano abriga hoje várias das maiores empresas brasileiras de construção civil, que lá atuam em grandes projetos de infraestrutura.
Isso talvez ajude também a explicar o cuidado que passou a adotar o Ministério da Saúde, tomando a iniciativa de se preparar para a eventual ocorrência de algum caso importado, de algum paciente que possa chegar ao Brasil já doente ou durante o período de incubação, que pode durar até 21 dias. Para o chefe da Seção de Arbovirologia do Evandro Chagas, o Ministério claramente se empenha no sentido de tornar possível um pronto diagnóstico para o caso de vir a se confirmar alguma ocorrência, de forma a impedir que o vírus possa se estabelecer no Brasil e aqui se disseminar.
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(Diário do Pará)
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