Assaltos, insegurança e medo. Para profissionais e pacientes que frequentam a Unidade Básica de Saúde Centro Família Barreiro I, localizado na passagem Mirandinha, no bairro do Barreiro, a violência assusta e inibe. Depois de uma médica ser sequestrada no estacionamento da unidade, uma equipe da Estratégia Saúde da Família (ESF) que fazia uma visita domiciliar foi assaltada no fim do último mês. Agora, o Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa) cobra da Prefeitura Municipal e do governo do Estado uma solução para o problema e denuncia que os servidores estão submetidos a riscos constantes.
Uma das médicas assaltadas no fim de julho, que prefere não se identificar por questões de segurança, afirma que o medo na Unidade Básica de Saúde é permanente. “Nós vivemos sobressaltados, temerosos. Aqui nós somos muito visados e até dar essa entrevista é perigoso, porque nós podemos ser vítimas de diversas ameaças”, fala.
Os profissionais do Centro Família Barreiro I se mobilizaram e produziram ofícios cobrando da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) uma solução para prevenir novos casos de violência. “Nós não tivemos resposta nenhuma até agora. Enquanto isso, a gente continua assim, exposta a todo tipo de perigo”, diz outra médica, que também prefere preservar a identidade.
A doméstica Irene Pimentel, 64 anos, afirma que já foi assaltada nas proximidades da Unidade de Saúde. “Pegaram minha bolsa e levaram tudo o que eu tenho, foi horrível. A violência tá em todo canto”, afirma. Para Irene, a segurança no bairro do Barreiro deveria ser reforçada. “Infelizmente, a cidade toda tá perigosa, mas alguma coisa tem que ser feita para diminuir essa criminalidade”, opina.
Wilson Machado, diretor de comunicação do Sindmepa, afirma que promover a segurança pública e garantir um sistema de saúde de qualidade são deveres do Estado. “A violência é um problema antigo, principalmente nos bairros de periferia, e atinge diretamente todos os profissionais que trabalham na unidade, não só os médicos, mas também os pacientes”, afirma.
De acordo com o diretor do Sindmepa, a insegurança a que estão submetidos os médicos é inadmissível e merece resposta. “Como se não bastassem problemas como a falta de uma remuneração adequada, um plano de carreira elaborado, ainda existem dificuldades desta natureza que afastam os médicos da saúde pública. É um absurdo que não se tenha segurança nem para trabalhar”, completa.
Em nota, a Polícia Militar informou que a segurança na área citada é feita com 3 viaturas em caráter permanente (24 horas) em ronda e 3 motocicletas. “A região é constantemente coberta com operações específicas da PM e em integração com os demais órgãos de Segurança Pública. A população também pode acionar os números do Oficial interativo que é 8123-1163,190 (Ciop) e 181 (Disque-denúncia)”, informou.
(Diário do Pará)
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