Cerca de 100 pessoas estão acampadas em frente ao Palácio dos Despachos, na avenida Augusto Montenegro. As famílias moravam em um terreno que era do governo, em Maracacuera, Icoaraci. Segundo eles, o local servia de cemitério clandestino e não pertencia mais ao estado.
No último domingo, a Polícia Militar entrou no local e retirou as famílias e desde segunda-feira, 11, elas estão em frente ao Palácio dos Despachos para tentar negociar a volta ao terreno, onde moravam cerca de 800 famílias.
Jorge Barros da Costa, 48 anos, é um dos líderes da Associação Guerreiros de Deus, nome dado ao movimento. Jorge enfatiza que as famílias só deixarão o Palácio dos Despachos quando puderem retornar para as casas. “Aqui todo mundo não tem como pagar aluguel. Se está tendo muita invasão é porque o governo não se interessa pela moradia popular’’, diz.
CADASTRO
Há 20 dias, a associação dos moradores preencheu um documento com o cadastro de todas as famílias ocupantes do terreno e entregou na Companhia de Habitação do Pará( Cohab). Até agora nenhum posicionamento foi dado. “Como cidadãos, só queremos nossos direitos. Eu estou há oito anos esperando o Minha Casa Minha Vida me dar minha casa e até agora nada’’, reclama a doméstica Aldiléia Santos, 50 anos.
As condições do acampamento são precárias. Embaixo de uma lona preta, crianças, jovens, adultos e idosos se amontoam em redes e colchões. Outros dormem pelo chão sem nenhum tipo de proteção. A comida é improvisada e vem de doações.
Dalcina de Souza Cardoso, 42 anos, está com as três filhas no local, uma de um ano e dez meses, uma de três anos e a outra de quatro anos. A doméstica conta que não tem para onde ir. “As crianças não estudam. Eu também não recebo bolsa família. Ontem choveu e caiu tudo em cima delas’’.
“Nós não temos onde morar. Estamos sem tomar banho, dormindo no chão, em redes. Não temos banheiro’’, relata Fátima Lopes da Silva, 53 anos. De acordo com Jorge, a comissão da associação está indo em diversos órgãos do governo saber que providências poderão ser tomadas. Enquanto isso, as famílias continuarão acampadas.
A Secretaria de Comunicação do Governo do Estado foi procurada, na noite de ontem, mas não se manifestou até o fechamento desta edição.
(Diário do Pará)
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