O que antes era sinônimo de beleza e tradição hoje é cenário do abandono do poder público municipal. Com a ação do tempo e o descaso, hoje as belas paisagens da ilha de Mosqueiro, distrito de Belém, contrastam com lixo, ruas esburacadas, mato e esgoto a céu aberto.
Os frequentadores e a população local reclamam da situação em que se encontra a bucólica, que, segundo eles, não recebe uma atenção municipal há anos. Não é preciso entrar na região mais afastada para perceber a infraestrutura comprometida do local. Quem caminha pela orla das praias Grande e do Bispo tem que seguir o trajeto pelo meio da rua, desviando dos buracos e do lixo. Já a orla da praia do Ariramba é tomada por mato.
De acordo com os moradores, a ilha só recebe manutenção antes do mês de julho, preparando a orla e algumas ruas principais para receber os veranistas. O aposentado Aurino Brito da Costa mora no balneário há oito anos. Ele lamenta o estado de Mosqueiro. “A situação aqui é vergonhosa. Em julho, eles colocam uma capa de asfalto para enganar a população dizendo que estão trabalhando. Quem entra nas ruas percebe o quanto estão acabadas.”
O aposentado mora no bairro do Ariramba e participa das frequentes coletas de dinheiro e multirões para deixar sua rua em condições melhores. “Moro na rua Bendelaio e fazemos coleta de 40 reais por morador para deixa a rua com condições para entrar carro e andar. No inverno, temos que andar de bota, devido a tanta lama. As únicas ruas mais arrumadas aqui da nossa ilha são as que ficam próximas das praias. Mas quem mora aqui sabe da realidade”, afirmou.
Os moradores da rua Sandra de Carvalho, no loteamento Paquetá, cansados da falta de pavimentação, também fizeram coleta para aterrar a via. “Nossa rua foi abandonada pela prefeitura. Ela não tem asfalto. Fizemos uma coleta e os moradores jogaram aterro nos buracos. Além disso, é cheia de mato e lixo. Já fomos à prefeitura e eles dizem que a rua consta como asfaltada. Isso não é verdade”, contou o lancheiro Osvaldo Uchôa.
No bairro do Aeroporto, as vias também não são pavimentadas. Na rua Camilo Salgado, paralela a avenida 16 de Novembro, um dos principais acessos à Vila, há diversos pontos de acúmulo de lixo e mato, além dos buracos na extensão. “Em dias de chuva andar por aqui é um problema. Há lama por todos os lados. A sujeira atrai ratos e urubus. Temos medo até de passar perto”, disse Rosário Abreu, moradora.
A reportagem do DIÁRIO tentou contato com a Agência Distrital de Mosqueiro, mas não teve retorno.
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(Diário do Pará)
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