Na profissão há dez anos, Francisco Édson Fernandes já quase não recorda mais do tempo em que não precisava passar a maior parte do dia atrás do volante de um caminhão. Responsável por 90% da renda da família, foi do emprego como motorista que, ao longo dos anos, ele garantiu com certa tranquilidade o sustento da casa e do filho hoje com seis anos de idade. Tranquilidade interrompida, porém, com a notícia de que entraria para a estatística do desemprego em julho deste ano. “Só na empresa que eu trabalhava foram 30 demitidos de uma vez só. Foi todo mundo pra rua, não sobrou nenhum”.
Prova de que a situação não foi vivenciada isoladamente pelos colegas de trabalho do pai de família de 34 anos, a enorme fila encontrada na entrada da Casa do Trabalhador todos os dias é reflexo da quantidade ainda grande de desempregados no Estado do Pará. Ainda que as admissões registradas nos últimos doze meses (julho de 2013 a junho de 2014) tenham apresentado um crescimento de 3,93%, o Pará apresentou o maior número de desligamentos no mesmo período entre todos os Estados da Região Norte.
Em números reais, 377.052 pessoas perderam espaço no mercado de trabalho. No primeiro semestre deste ano foram registradas 187.094 demissões no Pará, sendo 28.832 apenas no mês de junho. “Eu não esperava. A situação tá complicada pra muita gente mesmo. Por essa fila aqui dá pra perceber que não tá fácil”.
A fila enfrentada ainda antes do horário de funcionamento do órgão por tantas pessoas é formada por trabalhadores que, assim como Francisco, pleiteiam o benefício do seguro desemprego até que consigam uma nova colocação. Dos direitos garantidos a todo trabalhador, esse era único o que motorista preferia não precisar. “Eu já distribuí currículo onde eu fiquei sabendo, tô tentando contato com pessoas que já conhecem o meu trabalho... Eu preferia não ter que pegar esse seguro desemprego. Era melhor pegar logo outro emprego, mas não tá fácil”, avalia. “Antes a empresa tinha 150 empregados, mas foi demitindo aos poucos até ficar nesses 30 que foram demitidos agora de uma vez. Tem muito colega meu aí que ficou desempregado também”.
Ainda jovem, Josué Azevedo se viu desempregado aos 25 anos de idade após trabalhar a maior parte da vida profissional como auxiliar de produção. Oriundo do trabalho da ‘roça’ – como ele mesmo define, o tempo passado com carteira assinada é contabilizado sem esquecer nenhum mês. “Trabalhei 2 anos e 9 meses, mas fiquei desempregado há dois meses”. Sem a renda fixa, Josué ainda precisou se deslocar do município onde mora, em Santo Antônio do Tauá, até Belém para dar entrada no seguro.
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(Diário do Pará)
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