Ao mesmo tempo, em outro posto de solicitação do benefício, a quantidade enorme de pessoas na fila se repetia. Na já terceira tentativa de garantir o benefício no Sistema Nacional de Emprego (Sine) da Marambaia, Paula Gabriela Ferreira não imaginava que tantas outras pessoas estivessem na mesma situação que ela. “Eu fiquei desempregada em maio e desde lá eu tô tentando dá entrada no seguro, mas nunca consigo porque é sempre muita gente. Teve um dia que eu cheguei aqui à meia-noite e já tinha mais de 60 pessoas esperando”, surpreendeu-se. “Tem muita gente desempregada. Eu fiquei surpresa com a quantidade de gente desempregada que eu vi aqui. Parece que tão mais demitindo do que empregando”.
Ainda aos 23 anos de idade, Paula se viu sem emprego após trabalhar por um ano e dois meses como operadora de caixa em uma rede de lojas. Da empresa em que trabalhava, não foi a única demitida. “Que eu saiba, foram mais ou menos umas vinte pessoas demitidas. Só da loja que eu trabalhava fui eu e mais uma”, contabiliza. “Mês de maio e junho eles demitiram muita gente”.
Com o nível médio completo, o emprego perdido foi o primeiro já conquistado pela jovem. Era com a renda de um salário mínimo que ela ajudava a manter a casa onde mora com o marido, as duas filhas e a mãe. Diminuída a renda desde maio deste ano, quando foi informada que não receberia mais salário, a preocupação com o sustento das crianças de cinco e oito anos é inevitável.
“Quando a gente é sozinho é uma coisa, dá um jeito, mas com criança... a gente fica pensando se vai conseguir outro emprego, se não vai conseguir. As minhas filhas pedem as coisas e não tem como dar. Criança sempre necessita, né?”, inquieta-se. “O mercado tá difícil, não favorece muito não. Se tu vens de uma empresa que não tem muito nome, é mais difícil ainda. Eu queria logo era trabalhar”.
(Diário do Pará)
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