Ao contrário das belas imagens que são mostradas na televisão, durante a propaganda oficial sobre hospitais públicos, quando são mostradas fachadas de prédios, o interior de algumas dessas casas de saúde mostra um cenário bem diferente do que é mostrado.
No último dia 21, a equipe de jornalismo da RBATV conseguiu ter acesso ao interior do Pronto-Socorro Municipal Humberto Maradei - PSM do Guamá, e o que as câmeras revelaram foi o drama e o desespero de quem precisa recorrer ao serviço público de saúde no Pará.
No PSM do Guamá, os pacientes continuam sendo atendidos em macas nos corredores e até mesmo em cadeiras. Também não há nenhuma estrutura para os acompanhantes, que acabam dormindo no chão da
unidade.
O cenário se repete também no Pronto-Socorro Municipal Mario Pinotti, o PSM da 14. Os dois PSMs acabam recebendo pacientes de vários municípios paraenses, nos quais a saúde pública também é decadente.
Muitos destes pacientes são pessoas idosas que pagaram seus impostos a vida inteira, mas hoje não conseguem sequer um tratamento digno, no mínimo respeitoso. Em uma das imagens, obtidas com exclusividade, um idoso chega confirmar que o tratamento está “ruim”, no PSM do Guamá.
Ele é um dos diversos pacientes atendidos em uma maca no corredor do hospital. Sobre o leito improvisado, ele acaba tendo que guardar o seu material de uso pessoal – inclusive itens de higiene.
Segundo as apurações da reportagem da RBATV, a superlotação do PSM do Guamá piorou depois que a unidade passou a receber pacientes de câncer que aguardam por leito no Hospital Ophir Loyola. Em frente ao HOL, a reportagem recolheu o depoimento de diversas pessoas que reclamam da precariedade do serviço.
A dona de casa Dilma Maria passou a semana inteira indo ao HOL para tentar uma consulta. A autônoma Sueli Pinho relatou à reportagem que chegou para marcar uma consulta e presenciou a cena de uma usuária brigando porque não havia leito no hospital.
Enquanto os hospitais públicos administrados pelas secretarias de saúde vivem o caos, nos últimos quatro anos, o governo do Estado pagou R$ 880 milhões para a Pró-Saúde - Associação Beneficente Assistencial Social e Hospitalar, OS que gerencia quatro hospitais públicos no Estado. São 538 leitos administrados pela Pró-Saúde em todo o Pará.=
A “bolada” paga para a OS é quase dez vezes mais do que a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) recebeu (R$ 96 milhões) para administrar 301 leitos em três hospitais públicos do interior.

Fotos: Reprodução - RBATV
SUPERLOTAÇÃO
Por falar em hospitais públicos do interior, eles também não oferecem condições para atender os pacientes e os encaminham para o PSM da 14, que já vive superlotado. A unidade atende alta complexidade e, em frente ao prédio, situações tristes como o da autônoma Maria Rosinéia são cada vez mais comuns.
O pai dela, idoso de 77 anos, que passou quatro dias internado após ser vítima de Acidente Vascular Cerebral (AVC), faleceu e o hospital não esclareceu a causa da morte. “Um paciente internado há quatro dias, tomando medicamentos fortes, morre e o médico não sabe a causa da morte? Agora a gente tem que ir para o IML [Instituto Médico Legal]”, desabafou.
O paciente José Carlos Mercedes denunciou que a superlotação é tamanha que alguns pacientes recebem atendimento médico na porta dos banheiros.
A RBATV solicitou nota para a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) e também para o Hospital Ophir Loyola, mas até o fim da noite em que a matéria foi ao ar, dia 21, não receberam nenhuma resposta.

Fotos: Reprodução - RBATV
(Diário do Pará)
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