Na PA-252, outra via muito usada para o escoamento da produção do nordeste do Pará, no trecho entre Moju e Perna Sul, a situação é semelhante à vivida pelos quilombolas. O líder comunitário da localidade de Curupuré, Alberico Gomes Cunha, viu a construção de um sonho de 69 anos ser interrompida. “Moro aqui desde criança, e sempre foi um sonho ver nossa rua asfaltada, mas a realidade de hoje é bem diferente. Os tratores chegaram a passar por aqui, só que foram embora sem terminar a obra. Hoje, a poeira está muito pior que antes, pois passam muitos mais carretas e caminhões por aqui”.
O trecho da PA próximo à cidade de Acará é pavimentado, mas logo em seguida são 56 quilômetros de piçarra até chegar à cidade de Moju. Com a chuva, o local vira lama e sem drenagem a água não tem para onde escorrer. A via também já foi fechada por protestos este ano e quem trafega pelo local também reclama da situação.
“Em dias ensolarados, tenho que andar de vidro fechado, no calor. Quando chove, fica mais difícil ainda, pois a estrada fica cheia de lama, chegando a atolar alguns carros menores”, afirma o caminhoneiro Amilton Braga.
Conforme a placa de obra fixada no início da via, no sentido Moju-Acará, os serviços de recuperação, melhorias, manutenção e conservação em vias do município de Moju e trechos da PA-252 têm um prazo de 175 dias e um valor de R$ 5.886.254,86. A placa não informa a data do início das obras. Porém, não há nada no decorrer da estrada que indique que os trabalhos estão em andamento.
(Diário do Pará)
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