Uma doença infecciosa, ainda desconhecida, está deixando em alerta a aldeia Trocará, da etnia Assurini, nas proximidades de Tucuruí, no sudeste paraense. Na noite do último sábado (23), seis crianças da aldeia, com sintomas semelhantes aos da gripe A, causada pelo vírus H1N1, foram transferidas do Hospital Regional de Tucuruí para Belém. Uma delas, com quatro meses de vida, faleceu a caminho do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), referência em pneumologia e infectologia. Em Tucuruí, houve outros três óbitos. Todas as vítimas eram crianças com o mesmo quadro clínico.
De acordo com a direção do Hospital Regional de Tucuruí, as crianças Assurini que faleceram na cidade tinham um mês, dois meses e nove meses de vida. Elas foram internadas no hospital com sintomas parecidos: insuficiência respiratória, febre alta e complicações nos órgãos. Segundo o HUJBB, o corpo da criança que faleceu em Belém foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML).
SEM LEITOS
Os índios que chegaram à capital foram inicialmente levados ao Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, o PSM da 14. Segundo a assessoria de imprensa do Barros Barreto, os pacientes foram encaminhados ao hospital universitário sem referenciamento ou encaminhamento. Mesmo sem receber casos de urgência e emergência, as crianças foram atendidas no HUJBB por um pediatra de plantão.
O Barros Barreto estava sem leitos disponíveis e teve dificuldade para acomodar as crianças. Duas delas foram internadas no setor de pediatria, duas na Unidade de Diagnóstico em Meningite (UDM) e uma em um quarto de isolamento da TBMR (Tuberculose Multirresistente). Por apresentarem doença com alto risco de contaminação, os pacientes precisam permanecer isolados. “O Barros Barreto informa que já foi difícil conseguir leitos para estas crianças. Logo, quanto mais casos forem encaminhados ao HUJBB, mais difícil será para gerenciar esta situação”, alerta o hospital.
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) disse que a equipe de vigilância está apoiando as ações da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) na aldeia Assurini. Material está sendo coletado para exames através do Laboratório Central do Estado do Pará (Lacen). “O Instituto Evandro Chagas [IEC] também está auxiliando nas investigações sobre possibilidade de uma contaminação por vírus ou bactéria. Os primeiros exames deram negativo para a influenza A (H1N1)”, diz a Sespa.
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(Diário do Pará)
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