Natural do estado do Acre, Eduardo Salles nasceu em março de 1955 – tem, portanto, 59 anos. É filho de Reny Maria Jatene Salles, uma das irmãs de Jatene. O avô de Eduardo, Simão Abrahão Jatene, foi um dos comerciantes pioneiros de Castanhal na década de 1950. Abrahão possuía casa e comércio no cruzamento da avenida Barão do Rio Branco com a antiga Lauro Sodré, hoje rua Maximino Porpino. Era um empresário remediado, até porque o município, à época, também era pequeno. Além disso, tinha família grande para sustentar.
O pai de Eduardo, José Salles, mais conhecido na cidade como “seu Zezinho da farmácia”, também não parece ter sido um empresário de grandes posses. Junto com Reny, registrou apenas dois imóveis no cartório Araújo, que abrange os municípios de Castanhal, Inhangapi e São Francisco do Pará.
À semelhança do tio governador, Eduardo é amante da pesca esportiva e, durante anos, ambos até pescavam juntos nos fins de semana. Vários dos terrenos que possui estão localizados à beira de rios e igarapés. Outros ficam às margens da rodovia Castanhal--Inhangapi, um subtrecho de 15 quilômetros da PA-136, cuja pavimentação, inaugurada por Jatene em seu primeiro governo, custou aos cofres públicos quase R$ 3 milhões.
Esse, aliás, não foi o único projeto do governo a contribuir para a valorização das terras do sobrinho do governador: ainda em seu primeiro governo, Jatene idealizou e Eduardo coordenou, com recursos estaduais, o projeto Propirá, para repovoamento de rios e igarapés com espécies nativas de pescado – um atrativo a mais para o lucrativo ecoturismo.
Além disso, em 2004, Jatene desapropriou um enorme terreno, no bairro da Fonte Boa, em Castanhal, para a construção do loteamento Jardim dos Tangarás. Por coincidência, esse terreno, no qual a Cohab implantou toda a infraestrutura (água, luz, saneamento), fica ao lado de uma área de terra, de propriedade de Eduardo, também destinada à construção de um empreendimento imobiliário.
E mais: no ano passado, Jatene anunciou um investimento superior a R$ 70 milhões, para a construção de um complexo portuário na Vila Pernambuco, onde, entre 1997 e 2001, Eduardo também adquiriu vários terrenos.
O sobrinho de Jatene também é ligado a uma profusão de empresas, algumas em nomes de parentes e outras, de “prepostos”. Durante muitos anos, seu grau de parentesco com Jatene foi um segredo razoavelmente bem guardado, só conhecido em Castanhal (a terra do governador) e nos círculos palacianos mais bem informados. A razão do sigilo era a aparente correspondência entre a ascensão política de Jatene e o enriquecimento de Eduardo.
No ano passado, porém, informações divulgadas nas redes sociais começaram a romper esse mistério. E hoje, ao que se sabe, a fortuna de Eduardo, que só costuma registrar suas propriedades anos depois de adquiri-las, deve ser muito maior do que até agora já se conseguiu rastrear. O resto é com a Receita Federal.
(Diário do Pará)
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