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Hoje, empresa acumula problemas

Mais de 15 anos depois da privatização da Celpa, o povo paraense de todas as regiões é obrigado a enfrentar sérios problemas, embora o estudioso que conduziu o processo de transferência da empresa para a iniciativa privada, o hoje governador Simão Jatene,

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Mais de 15 anos depois da privatização da Celpa, o povo paraense de todas as regiões é obrigado a enfrentar sérios problemas, embora o estudioso que conduziu o processo de transferência da empresa para a iniciativa privada, o hoje governador Simão Jatene, tenha vendido a ilusão de que a privatização seria boa para o Estado e para o povo, que teria energia mais barata. Além disso, o Estado se livraria de uma empresa deficitária. Não foi isso o que aconteceu. Além da perda de um patrimônio público, houve disparada nas tarifas de energia elétrica, somando-se à degradação dos serviços, hoje entre os piores do país.

A aplicação do dinheiro obtido com a venda da Celpa permanece até hoje obscura. Os governos tucanos nunca se dignaram a dar respostas claras e objetivas sobre a aplicação dos recursos, ensejando com isso todo tipo de especulação e boatos, inclusive de que o dinheiro teria sido desviado para outras finalidades que nãos os princípios republicanos.

O Sindicato dos Urbanitários denunciou por diversas vezes os prejuízos causados pela privatização, apontando também a irracionalidade de uma política de recursos humanos baseada no desligamento dos profissionais mais capazes e experientes para privilegiar a terceirização dos serviços, sem qualquer critério amparado no mérito e no conhecimento.

O empresário Jorge Queiroz de Moraes, dono e presidente do arruinado Grupo Rede Energia, a quem o governo do Pará entregou o comando da Celpa há 15 anos, deu um calote de cerca de 6 bilhões de reais em seus credores, boa parte dos quais no Estado do Pará. Segundo a revista Exame, em matéria publicada em junho do ano passado, essa façanha garantiu ao ex-controlador do Grupo Rede o recorde do maior calote da história do mercado corporativo brasileiro.

Mas ele era – e continua sendo – um homem de sorte. Quando comprou a Celpa, Jorge Queiroz não precisou utilizar o caixa da Rede Energia, embora o grupo fosse considerado então um dos mais poderosos do país, com faturamento anual que chegou a alcançar R$ 8 bilhões e o atendimento de um universo estimado em cerca de cinco milhões de consumidores. A costura do acordo com o governo do PSDB do Pará e o aval das autoridades de Brasília, na época sob a presidência do também tucano Fernando Henrique Cardoso, permitiu ao presidente do Grupo Rede fechar o negócio e pagar o valor contratado de US$ 450 milhões com recursos obtidos integralmente de fundos públicos, sem o incômodo de precisar gastar um único centavo do próprio bolso.

Quando, anos depois, o Grupo Rede entrou em colapso, acumulando um passivo de R$ 6 bilhões, ele simplesmente se mudou para a Europa, onde vive hoje confortavelmente e sem maiores preocupações. Já os paraenses, sim. Estes têm motivos de sobra para se preocupar, sejam credores da Celpa ou simples consumidores de energia elétrica, com péssimos serviços e tarifa cara, como o recente reajuste de 34,34%. Uma facada nas costas que dói muito, principalmente no bolso da população.

De acordo com a reportagem da Exame, o paradeiro de Queiroz é um mistério: amigos dizem que está na Itália. A advogada dele, Raquel Otranto, diz que ele está em tratamento para estresse e depressão, mas não diz exatamente onde.

(Diário do Pará)

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