Ainda envolta pelas lembranças da própria infância, a cabeleireira Karol Santos fez questão de registrar cada momento do filho Eliel Júnior, de apenas três anos, durante o desfile escolar organizado como parte das comemorações pela Independência do Brasil na Aldeia Amazônica Davi Miguel. Realizado na manhã de ontem, o desfile foi marcado pela presença de estudantes das séries iniciais das escolas de Belém.
Preocupada em manter a tradição viva na família, a Karol Santos fez questão de garantir a participação do filho no desfile cívico. “É uma cultura que tem que ser mantida desde pequenininho. Só de estar aqui com ele eu me lembro de quando eu participava e dá vontade de estar no meio também”, aponta, ao lembrar que desfilava pela escola em que estudava na ilha do Marajó. “Eu desfilava na banda. Foram anos tocando prato e três anos tocando bumbo. Guardo minhas fotos até hoje”.
Sem esconder o orgulho pela atuação do caçula dos netos, o motorista Aldemir Pereira se emocionava pela oportunidade que ele mesmo não teve quando criança. “Eu tive que trabalhar desde os meus oito anos pra ajudar meu pai então eu nunca pude participar, nunca tive essa oportunidade. Hoje é diferente, a gente pode ajudar os nossos netos e fico orgulhoso deles poderem participar”, emocionava-se, enquanto mantinha o pequeno Arthur Mendes, de dois anos, nos braços. “É um evento que valoriza a criação. A criança já começa no caminho do que é bom”.
Responsável por levar a bandeira de Belém na frente do batalhão de sua escola, o estudante Paulo Vitor, 14 anos, comemorava a quinta participação em desfiles em comemoração à Independência do Brasil. “O que eu mais gostei é que pude desfilar segurando a bandeira homenageando a escola”, destacou. “É importante pra que eles saibam o significado do dia”.
Professora em uma das escolas que desfilaram, Elvira Farias lembrou que foram duas semanas de ensaio para que tudo corresse como o esperado. “É uma data muito significativa pras crianças que vão iniciando esse sentimento cívico que hoje já quase não existe”, acredita. “A gente fez questão de explicar pra eles, ensaiamos duas semanas com eles pra ensinar como é que se marcha... eles gostaram muito”.
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(Diário do Pará)
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