As imagens de Nossa Senhora de Nazaré já começam a peregrinar pelos lares paraenses. A esta altura também já é possível sentir o o cheiro de maniçoba no ar, ainda que tenham diminuído os quintais. Não há dúvida, a cidade está se preparando para a 222ª edição do Círio de Nazaré. Na Universidade Federal do Pará não é diferente. Os preparativos estão a todo vapor para celebrar os 20 anos do Auto do Círio. Os ensaios começam no próximo dia 22 e as inscrições estão abertas.
Com o tema “Senhora de Todas as Artes”, a ideia é agregar todas as vertentes artísticas envolvidas no cortejo, o qual percorre as ruas da Cidade Velha na sexta-feira que antecede a grande procissão, em outubro. “Nós queríamos um tema que caracterizasse esses 20 anos e, nas discussões, concluímos que o Auto do Círio reúne carnaval, carimbó, boi bumbá, teatro, dança, performances e orquestras. Quase todas as apresentações, por incrível que pareça, são pensadas como uma forma de promessa. Nós percebemos a presença de promesseiros reais dentro do auto”, explica a professora Cláudia
Palheta.
Para os organizadores, ao longo do tempo, o auto transformou-se em mais uma romaria da Quadra Nazarena, assim como a Rodoviária, a Fluvial, a da Juventude, a Motoromaria, a Trasladação e o próprio Círio. “No auto, deságuam as promessas artísticas dos artistas, por isso é interessante designar o Auto do Círio como uma Arte Romaria ou como a Arte Romaria do Círio”, afirma a professora.
Em 1993, quando foi criado pelas professoras Zélia Amador de Deus e Margareth Refkalefsky, à época, vice-reitora e diretora do Núcleo de Arte da UFPA, respectivamente, o objetivo do Auto do Círio era revitalizar o Centro Histórico de Belém durante os festejos do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, além de possibilitar o exercício da prática do ensino das Artes por meio do teatro de rua.
De lá para cá, o espetáculo foi dirigido pelo teatrólogo Amir Haddad (1993 e 1995), pelo professor Miguel Santa Brígida (1996 a 2008), pelo ator Hudson Andrade (2009), pelos professores Beto Benone e Cláudia Palheta (2010), pelo professor Beto Benone (2011 a 2013). Em 2014, os professores Adriano Furtado e Cláudia Palheta assumiram a direção e a coordenação do espetáculo,
respectivamente.
NA CIDADE VELHA
Para festejar os 20 anos, os organizadores querem estreitar os laços com a Cidade Velha e seus moradores, resgatar aquele objetivo inicial de valorização e preservação do patrimônio. Para isso, foram realizadas reuniões com os moradores da Praça do Carmo, onde serão realizados os ensaios, e também com aqueles que têm suas casas ao longo do trajeto do cortejo.
“A nossa preocupação era saber o que essas pessoas achavam do ‘barulho’ que nós iríamos fazer na casa delas e nós fomos recebidos de braços abertos”, comemoram os professores. O resultado dessa boa recepção é a possibilidade de distribuir as atrações ao longo de algumas varandas de casas localizadas na rua Dr. Assis, realizando um sonho antigo dos organizadores.
“Nas conversas com os moradores, encontramos pessoas que assistem ao Auto do Círio há 19 anos. Existe morador que faz festa no dia do auto, que prepara banho de cheiro para jogar nos participantes do cortejo, morador que abre as portas da sua casa para transformá-la em camarim, ou seja, os moradores sempre estiveram conosco, mas nós não sabíamos dessa amizade. Foi uma maravilhosa surpresa ser abraçado por eles”, conta o professor Adriano Furtado. Trazer os ensaios da Aldeia Cabana para a Praça do Carmo é outra novidade desta edição e mais uma tentativa de aproximação com o bairro.
SERVIÇO
Podem participar do elenco do Auto do Círio qualquer pessoa com ou sem experiência cênica, desde que maior de 18 anos. Interessados devem preencher a ficha de inscrição disponível no perfil oficial do evento no Facebook/AutodoCirioBelem e enviar para o e-mail autodocirio20@gmail.com Os ensaios acontecem a partir do dia 22 de setembro, na Praça do Carmo, das 19h às 22h.
(Diário do Pará)
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