A dona de casa Alessandra Amaral é moradora da rua Berredos, ao lado das obras de aterramento do canal. Ela também reclama que antes das obras a situação era melhor que atualmente. “Minha casa já foi aterrada três vezes durante os anos de obra desse canal. Na última chuva, á agua chegou aos nossos joelhos e meu sofá ainda está ensopado. Meu banheiro continua completamente cheio de água da chuva”, disse. Evandro Júnior, morador da 6 rua, também reclama da situação. “Todos os moradores aqui tem que fazer muro na frente das casas. Além da água que vem da rua, tem os ratos e principalmente as cobras. A imprensa já esteve aqui para mostrar uma cobra de mais de quatro metros encontrada por um morador. Quem quiser sair de casa, tem que usar botas ou ficar descalços, pois além de se molhar ainda pegamos doenças e frieiras”.
Segundo os moradores, com as enchentes as aulas são suspensas na Escola de Ensino Infantil Artes e Ofício Mestre Raimundo Cardoso. “A escola fica cheia e a direção manda os alunos voltar pra casa. Perdemos muitas aulas assim, porque sempre chove. E quando vamos pra aula, temos que tirar o tênis e levantar a calça pra não chegar molhada”, disse a estudante, Jaqueline Oliveira.
Além dos alagamentos, as ruas próximas ao canal, sofrem com a falta de saneamento básico e coleta de lixo. Os esgotos a céu aberto, o mato alto e os entulhos espalhados é a cena diária dos moradores locais. “O caminhão de lixo vem uma ou no máximo, duas vezes por semana, e pra não deixarmos o lixo dentro de casa colocamos pendurados na porta de nossas casas. São os próprios moradores que tiram o mato, e ainda temos que colocar aterro nos buracos da rua. Essa situação fica cada dia mais complicada”, afirmou a costureira Fátima Rita da Silva, moradora há mais de 10 anos da rua Andradas.
O PROJETO
O projeto é uma iniciativa do governo federal, através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em parceria com a prefeitura de Belém. Ela teria como finalidade implantar vias sanitárias ao longo das margens do Igarapé do Paracuri, ampliar a rede de abastecimento de água, implantar um sistema de esgotamento sanitário, além da ampliação e melhoria da coleta de resíduos sólidos e construção de rede de microdrenagem para eliminar pontos de alagamento, que proporcionariam a população local uma melhoria nas condições ambientais e sanitárias da região. A obra foi interrompida diversas vezes.
(Diário do Pará)
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