Está sob a lupa do Ministério Público desde junho último, em forma de inquérito civil, os contratos celebrados entre Governo do Estado e Prefeitura Municipal de Belém com a empresa de propaganda Griffo Comunicação, de propriedade do marketeiro-mor do PSDB, Orly Bezerra.
De acordo com informações repassadas pela assessoria de Comunicação do MP-PA, os alvos da investigação, que começaram em novembro do ano passado quando o órgão abriu procedimento investigatório, são possíveis irregularidades existentes nesses contratos - que, em uma análise simples feitas somente em uma das redes sociais “oficiais” mantidas pela Griffo, são as principais da empresa, dado o número de peças divulgados pelo canal, em relação a outros clientes/contas. O processo está nas mãos da 6ª Promotora de Justiça de Direitos Constitucionais Fundamentais, Defesa do Patrimônio e da Moralidade Administrativa, Elaine Castelo Branco.
Coincidência ou não, a Griffo é campeã certa de praticamente todas as licitações de propaganda das administrações municipais e estaduais do PSDB desde a década de 90 - isso, claro, depois de o próprio Orly comandar as campanhas políticas dos mesmos candidatos à frente dessas administrações. Pelo Portal da Transparência, é possível confirmar que a Griffo recebeu, só do Governo do Estado, de 2011 para cá, mais de R$ 70 milhões de reais - sendo que o Governo possui contrato com um total de cinco empresas de propaganda e gastou, nesse período, pouco mais de R$ 140 milhões.
Para quem não lembra, Orly comandou as campanhas eleitorais do tucano Almir Gabriel, em 1994 e 1998; de Simão Jatene, em 2002; novamente de Almir, em 2006; e novamente de Jatene, em 2010, de quem também é o marqueteiro agora, em 2014. Também foi dele o comando da campanha de Zenaldo Coutinho, em 2012. Para não dizer que a Griffo não estava em todas, teve um hiato de quatro anos, entre 2007 e 2010 - justamente no período do mandato da petista Ana Júlia Carepa, quando a empresa sequer participou da corrida pelas contas governamentais.
A mamata não fica por aí. O “jornal oficial” do Governo do Estado, O Liberal, e os demais veículos das Organizações Rômulo Maiorana (ORM), são receptores primeiros das grandes peças de propaganda criadas pela Griffo. Em maio de 2013, blogs e redes sociais começaram a reportar as “coincidências” entre as campanhas comandadas por Orly e as licitações vencidas pela empresa que ele comanda. A explicação dada à época era de que o dinheiro obtido pela Griffo paga os anúncios veiculados pelo Governo nos meios de comunicação, cabendo-lhe, apenas, uma comissão prevista em lei de 20%. Mas saber para onde, de fato, vai o montante total a partir do momento em que a verba entra nos cofres da Griffo, isso ninguém sabe - cabe ao MP-PA e o TJ-PA investigar esse mistério e confirmar ou não a suspeita de que boa parte seja destinada às contas bancárias dos Maiorana, que além de rasgar elogios ao Governo Jatene como pode, é cliente da empresa de Orly.
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(Diário do Pará)
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