Milhares pessoas invadiram na última quinta-feira e estão ocupando o residencial Icuí-Guajará, que teve as obras paralisadas na gestão do atual prefeito do município de Ananindeua, Manoel Pioneiro. Na tarde de ontem, os ocupantes foram surpreendidos por homens da Polícia Militar e da Guarda Municipal de Ananindeua que queriam retirar as famílias do local. O residencial está tomado pelo mato e as construções, completamente deterioradas.
“A polícia deu até domingo (amanhã) para a gente sair daqui e disseram que vão deixar uma viatura 24 horas. Tem tantas áreas onde eles deveriam estar e eles vêm para cá querer tirar as pessoas que precisam de uma casa para morar”, disse o pedreiro Marcos Mendes.
Ainda que a obra esteja abandonada, outra ocupante do local afirmou que um representante da Secretaria Municipal de Saneamento e Infraestrutura de Ananindeua também esteve no residencial e disse que eles não podem ficar lá, já que a prefeitura tem o cadastro das pessoas que devem ir morar nas casas. “A obra parou com o Pioneiro. Eles dizem que não têm verba para terminar, mas que há pessoas certas para morar. Estou inscrita no Minha Casa, Minha vida e até agora não fui beneficiada”, conta a dona de casa Luciana Campos.
Os ocupantes disseram ainda que a polícia age sempre com truculência para forçar que as famílias desocupem o local. “Essa obra paralisada só serve para assalto e até estupro já teve aqui dentro. Eles chegam aqui derrubando tudo, agredindo e, quando veem a imprensa, como hoje, eles vão embora. As pessoas que estão aqui precisam de um local para morar, pagam aluguel. O tempo passa e eles não fazem nada aqui. Estamos decididos a não sair”, declara o pedreiro Paulo Leandro.
Os moradores do bairro do Icuí também reclamam do abandono da obra. “Nos sentimos mal em morar próximo daí. É muito bandido, ficamos à mercê. O pessoal da prefeitura e do governo só aparecem aqui quando invadem e ninguém faz nada. Essas pessoas que estão aí não têm casas e uma obra monstruosa dessa parada e se acabando. O povo quer casa e não tem”, garante o comerciante Isael Magno Alfaia. A comerciante Maria José Nascimento também se sente prejudicada com a situação do residencial. “Até agora, na gestão do Pioneiro não fizeram nada aí. Estão tentando invadir faz tempo. Mas quando eles estão aí fica até melhor, porque os bandidos ficam escondidos lá, então é perigoso”, disse.
Por meio de nota, a Prefeitura Municipal de Ananindeua respondeu que, para que as obras pudessem ser reiniciadas, a atual administração precisaria injetar recursos do Tesouro na ordem de R$-6.628.891,47, “o que é absolutamente inviável, dada a incapacidade financeira do município em suportar essa oneração, razão pela qual a prefeitura vem tentando captar outras fontes de recursos objetivando a retomada e conclusão dessas obras. Apesar da paralisação das obras do habitacional, o contrato com a empresa continua vigente até hoje, haja vista que outras frentes de serviços continuaram em execução, por isso a existências dos termos aditivos que foram veiculados na imprensa”. A assessoria da Caixa Econômica Federal também foi contatada pelo DIÁRIO, mas não deu retorno.
(Diário do Pará)
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