Oficiais da Polícia Militar do Pará que, em Boletim Geral Reservado datado de 16 de julho deste ano, figuravam entre a 23ª posição e a 39ª na lista de habilitados aos quadros de acesso para promoção, pelos critérios de merecimento e de antiguidade, deram rapidamente a volta por cima e hoje ocupam o topo da lista.
Em novo Boletim Reservado, este do dia 2 deste mês, a presença deles na lista mostra que conseguiram ultrapassar mais de três dezenas de outros oficiais que estariam à frente pelo critério de antiguidade.
Nisso não houve nenhum prodígio, porém, como alguns até poderiam imaginar. Tampouco houve milagres. O que aconteceu, conforme demonstram documentos oficiais a que a reportagem do DIÁRIO teve acesso e mais o relato de uma fonte da área militar, sob compromisso de confidencialidade, foi uma ação politicamente ruinosa do atual governo, com o único objetivo de conceder e retribuir favores, beneficiar amigos e melhorar a vida dos “peixes” da turma.
Trata-se, aliás, de ação que está em curso desde abril deste ano, quando irrompeu uma revolta dos praças. Tratado maliciosamente como simples “movimento grevista”, o episódio, até hoje não convenientemente esclarecido pelo Governo do Estado, ainda pode ganhar desdobramentos surpreendentes e imprevisíveis até o final deste mês. Independentemente do que já ocorreu ou venha a ocorrer, indesmentível é o fato de que a PM do Pará, como instituição, está flagrantemente fragilizada, inclusive com o vazamento de documentos de caráter reservado.
No Boletim Geral Reservado nº 039, datado do dia 2 deste mês, aparece em primeiro lugar na lista dos oficiais habilitados aos quadros de acesso para promoção o tenente-coronel Almério Moraes Pereira Júnior, com 9,423 pontos. No Boletim Reservado nº 033, de 16 de julho, ele estava na 35ª posição, com 8,27 pontos. Outro que experimentou uma ascensão meteórica nesse período foi o tenente-coronel Dilson Barbosa Soares Júnior, que hoje ocupa a segunda posição, com 9,240 pontos. Em seguida vêm os também tenentes-coronéis Emmanuel Queiroz Leão Braga em terceiro lugar (9,173 pontos), Alfredo de Souza Verdelho Neto (quarto, com 9,157) e Romualdo Marinho Soares (quinto, com 9,023).
A lista foi aprovada em reunião realizada no dia 29 de agosto pela Comissão de Promoção de Oficiais PM (CPO). O encontro aconteceu no gabinete do Comandante Geral da Polícia Militar, sob a presidência do coronel Daniel Borges Mendes. Cópia da ata dessa reunião, a que o DIÁRIO teve acesso, aponta que estiveram presentes os demais membros da CPO, todos oficiais com a patente de coronel – Evandro Cunha dos Santos, Fernando Augusto Dopazo Noura, José Vicente Braga da Silva, Artur José de Figueiredo Piedade e Ruy Ce Lobato dos Santos, este como secretário. O único ausente, mas com ausência justificada, foi o coronel Roberto Luiz de Freitas Campos.
Ao final da reunião, conforme está lavrado em ata, os membros presentes da CPO concluíram, por decisão unânime, que estão habilitados aos quadros de acesso para promoção os nomes que integram a lista. As promoções estão previstas para a próxima quinta-feira, dia 25, e, se confirmadas por ato pessoal do governador, deverão engrossar a onda de ressentimento e revolta que, surdamente, vem varrendo internamente a corporação. Antes restrita basicamente aos praças, essa onda agora alcança a oficialidade, chegando até os altos escalões e postos de comando.
(Diário do Pará)
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