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Promoções ilegais privilegiam ‘peixes’

Ao minimizar o episódio, tratando como “grevistas” os policiais revoltosos, o Governo do Estado se eximiu de uma rigorosa apuração, o que seria de sua responsabilidade, e abriu caminho para a punição dos praças e de suas principais lideranças. Em diversas

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Ao minimizar o episódio, tratando como “grevistas” os policiais revoltosos, o Governo do Estado se eximiu de uma rigorosa apuração, o que seria de sua responsabilidade, e abriu caminho para a punição dos praças e de suas principais lideranças. Em diversas entrevistas, de autoridades do Executivo e da cúpula da segurança pública, a mensagem passada na época para a população foi a de que o governo não iria permitir “atos de indisciplina e desordem”.

O que aconteceu pouco tempo depois, e está previsto agora para ocorrer nas promoções, deixa claro, segundo o documento entregue ao DIÁRIO, que o governo persiste numa postura dúbia e inconsequente, tentando mostrar à sociedade, a todo custo – e a proximidade das eleições tem muito a ver com isso –, que “a casa está arrumada” quando, na verdade, ela não está.

Fonte militar independente observa que a decisão relativa a nomeações, sujeita ao poder discricionário do governador de turno, costuma mesmo privilegiar “os peixes”, para utilizar o jargão próprio da caserna em referência aos amigos e apadrinhados. Embora não seja ilegal, a nomeação assim decidida pode ser considerada um acinte quando, por exemplo, pretere oficiais com méritos, antiguidade e todas as condições para ascensão na carreira.

Segundo a denúncia encaminhada ao DIÁRIO, o governador Simão Jatene optou por menosprezar os praças da corporação, para isso ‘presenteando’ os oficiais – tidos como causadores da revolta de abril – com postos mais importantes do que os que ocupavam antes. Isso, mesmo havendo oficiais capacitados para ocupar esses cargos e com o devido grau hierárquico que os mesmos requeriam. O governador do Estado e o comandante da PM nunca tentaram saber a fundo por que os praças reclamavam, na época do incidente, pela substituição do comando no 6° BPM, onde tudo começou.

O capitão Marcelo Costa, por exemplo, acusado de haver destratado e humilhado os praças, acabou promovido ao posto de major e hoje ocupa o cargo de comandante do 29º BPM, também em Ananindeua. Além da promoção, surpreendente e inesperada, causou estranheza sua nomeação para uma função de prerrogativa de oficial com patente de tenente-coronel. Não foi a primeira vez, mas, como sempre que isso acontece, a decisão causou grande mal-estar nos quartéis.

Mais sorte ainda teve o tenente-coronel Almério Moraes Pereira Júnior. Retirado do comando do 6° BPM, ele “caiu para cima” e foi assumir o 7° Comando de Policiamento Regional, unidade da Polícia Militar com sede em Capanema e jurisdição sobre 18 municípios da região do Salgado. Repetindo o anterior, também neste caso o comandante foi presenteado com uma função que é prerrogativa de oficial com patente superior, de coronel da PM.


Nada mais a estranhar, já que o governo parece mesmo decidido a transformar a gloriosa Polícia Militar numa autêntica casa do espanto. Só isso pode explicar o fato de haver o mesmo coronel Almério saltado, em menos de dois meses, do 35º para o 1° lugar na lista de promoções. Explicação que pode ser buscada também – segundo leitura interna feita fora dos círculos do poder de turno – no compadrio ditado pelo alinhamento político-partidário e na blindagem prévia, no quadro de oficiais da PM, diante de um previsível insucesso eleitoral nas urnas

(Diário do Pará)

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